(ENEM - 2016)
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que o seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista
LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa função da linguagem torna-se evidente pelo fato de o texto
ressaltar a importância da intertextualidade.
propor leituras diferentes das previsíveis.
apresentar o ponto de vista da autora.
discorrer sobre o ato de leitura.
focar a participação do leitor.
Gabarito:
discorrer sobre o ato de leitura.
A) INCORRETA: O autor fala sobre a intertextualidade no fragmento apresentado na questão. Contudo, ressaltar a intertextualidade não é um modo metalinguístico de se escrever, mas somente quando ele usa a linguagem para falar da própria linguagem.
B) INCORRETA: Não é somente com leituras diferentes que se tem o ato da metalinguagem, mas discorrer do próprio processo de leitura já é uma prática metalinguística.
C) INCORRETA: O ponto de vista não é um caráter metalinguístico, mas, levando para o lado dos tipos textuais, é uma característica essencial de textos argumentativos. Em alguns casos na função da linguagem, pode aparecer como uma função expressiva ou uma função apelativa.
D) CORRETA: Ao discorrer sobre o ato de leitura, a autora utiliza termos que fazem parte do processo de leitura (como decodificação). Essa argumentação é apreendida através de uma leitura de receptores (nós que lemos o texto). Isso faz com que seja um usada uma linguagem para me explicar a mesma linguagem, usando a leitura para se falar sobre o próprio processo de leitura, isso se configura enquanto metalinguagem.
E) INCORRETA: Há de fato um foco na participação do leitor elencado neste texto, mas não podemos dizer, portanto, que esse foco é uma característica metalinguística, porque só seria se o autor utilizasse o leitor como modo de passar essa imagem, algo que não ocorre.