(ENEM 2016)
Ser ou não ser — eis a questão.
Morrer — dormir — Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007.
Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre
consciência de si e angústia humana.
inevitabilidade do destino e incerteza moral.
tragicidade da personagem e ordem do mundo.
racionalidade argumentativa e loucura iminente.
dependência paterna e impossibilidade de ação.
Gabarito:
consciência de si e angústia humana.
a) Correta. consciência de si e angústia humana.
O pensamento central do texto é uma indagação existencial, abordando a essência da existência humana em que a contribuição mais importante desse texto sobre a corrente é acerca da responsabilidade do homem sobre as suas escolhas e a definição de sua vida, bem como a sua angústia perante o tudo e o nada, o ser e o não-ser. Por isso, surge a dicotomia entre ser consciente sobre si, perante a condição de sua existência, e a angústia da possibilidade do nada.
b) Incorreta. inevitabilidade do destino e incerteza moral.
O existencialismo depreende que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual - desse modo, sendo um ideal contrário à inevitabilidade do destino, ele é fruto de ações individuais, pois "a existência precede a essência". Além disso, não pode ser retirado do trecho tais noções, apenas a incerteza moral.
c) Incorreta. tragicidade da personagem e ordem do mundo.
Há uma certa ordem trágica no texto, mas não é isso que é relegado ao existencialismo.
d) Incorreta. racionalidade argumentativa e loucura iminente.
A racionalidade argumentativa não é um aspecto que serve-se de núcleo ao existencialismo, pois enfoca o homem apenas como um sujeito pensante, não em sua totalidade existnecial.
e) Incorreta. dependência paterna e impossibilidade de ação.
Tais aspectos não encampam a corrente de pensamento existencialista, nem mesmo o excerto de Hamlet em questão.