(ENEM PPL - 2014)
Eu vô transmiti po sinhô logo uma passage muito importante, qu’ eu iscutei um velho de nome Ricardo Caetano Alves, que era neto do propietário da Fazenda do Buraca. O pai dele, ele contava que o pai dele assistiu uma cena muito importante aonde ele tava, do Jacarandá, o chefe dos iscravo do Joaquim de Paula, com o chefe dos iscravo do Vidigal, que chamava, era tratado Pai Urubu. O Jacarandá era tratado Jacarandá purque ele era um negro mais vermelho, tá intendeno com’ é que é, né? Intão é uma imitância de cerno de Jacarandá, intão eles apilidaro ele de Pai Jacarandá. Agora, o Pai Urubu, diz que era o mais preto de todos os iscravo que era cunhicido nessa época. Intão ele ficô com o nome Pai Urubu. É quem dirigia, de toda confiança dos sinhores. Intão os sinhores cunhiciam eles como “pai”: Pai Urubu, Pai Jacarandá, Pai Francisco, que é o chefe da Fazenda das Abóbra, Pai Dumingo, que era da Fazenda do Buraca.
SOUZA, J. Negros pelo vale. Belo Horizonte: Fale-UFMG, 2009.
O texto é uma transcrição da narrativa oral contada por Pedro Braga, antigo morador do povoado Vau, de Diamantina (MG). Com base no registro da fala do narrador, entende-se que seu relato
perpetua a memória e os saberes dos antepassados.
constrói uma voz dissonante da identidade nacional.
demonstra uma visão distanciada da cultura negra.
revela uma visão unilateral dos fazendeiros.
transmite pouca experiência e sabedoria.
Gabarito:
perpetua a memória e os saberes dos antepassados.
O discurso apresentado tem todas as características do discurso oral, com expressões típicas da fala: “tá intendeno com’ é que é, né?” Ou a troca da vogal e pela vogal i: “intão”, “apilidaram”, “sinhores”. Com isso, o narrador expõe uma linguagem aprendida dentro de uma determinada comunidade, de uma determinada cultura. Por isso, este relato carrega traços culturais bastante próprios, cunhados pela ação do tempo e pelo uso. O discurso apresentado tem todas as características do discurso oral, com expressões típicas da fala: “tá intendeno com’ é que é, né?” Ou a troca da vogal e pela vogal i: “intão”, “apilidaram”, “sinhores”. Com isso, o narrador expõe uma linguagem aprendida dentro de uma determinada comunidade, de uma determinada cultura. Por isso, este relato carrega traços culturais bastante próprios, cunhados pela ação do tempo e pelo uso.