(ENEM PPL - 2014)
Mãos dadas
| Não serei o poeta de um mundo caduco. | |
| Também não cantarei o mundo futuro. | |
| Estou preso à vida e olho meus companheiros. | |
| Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. | |
| Entre eles, considero a enorme realidade. | |
| O presente é tão grande, não nos afastemos. | |
| Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. | |
| Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. | |
| Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. | |
| Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. | |
| Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. | |
| O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os | |
| homens presentes, | |
| a vida presente. |
ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.
Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela um eu lírico marcado pelo contexto de opressão política no Brasil e da Segunda Guerra Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico
considera que em sua época o mais importante é a independência dos indivíduos.
desvaloriza a importância dos planos pessoais na vida em sociedade.
reconhece a tendência à autodestruição em uma sociedade oprimida.
escolhe a realidade social e seu alcance individual como matéria poética.
critica o individualismo comum aos românticos e aos excêntricos.
Gabarito:
escolhe a realidade social e seu alcance individual como matéria poética.
A) INCORRETA: não há nada no poema que se refere à independência dos indivíduos, mas sim sobre a escrita do eu lírico.
B) INCORRETA: pois não há nada que se fale dos planos pessoais da vida em sociedade, mas somente sobre a escrita do eu lírico.
C) INCORRETA: o poema não aborda a questão da autodestruição, mas o eu lírico reflete sobre a sua escrita.
D) CORRETA: o eu lírico apresenta a realidade social na qual os poetas escrevem sobre as mais diversas coisas. No entanto, ele possui um foco muito mais no teor da sua escrita pessoal (do tema) do que na escrita dos outros.
E) INCORRETA: não há uma crítica ao individualismo, até porque a fala do eu lírico no poema é muito individualista.