(ENEM PPL - 2014)
Contam, numa anedota, que certo dia Rui Barbosa saiu às ruas da cidade e se assustou com a quantidade de erros existentes nas placas das casas comerciais e que, diante disso, resolveu instituir um prêmio em dinheiro para o comerciante que tivesse o nome de seu estabelecimento grafado corretamente. Dias depois, Rui Barbosa saiu à procura do vencedor. Satisfeito, encontrou a placa vencedora: “Alfaiataria Águia de Ouro”. No momento da entrega do prêmio, ao dizer o nome da alfaiataria, Rui Barbosa foi interrompido pelo alfaiate premiado, que disse:
– Sr. Rui, não é “águia de ouro”; é “aguia de ouro”!
O caráter político do ensino de língua portuguesa no Brasil. Disponível em: http://rosabe.sites.uol.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012.
A variação linguística afeta o processo de produção dos sentidos no texto. No relato envolvendo Rui Barbosa, o emprego das marcas de variação objetiva
evidenciar a importância de marcas linguísticas valorizadoras da linguagem coloquial.
demonstrar incômodo com a variedade característica de pessoas pouco escolarizadas.
estabelecer um jogo de palavras a fim de produzir efeito de humor.
criticar a linguagem de pessoas originárias de fora dos centros urbanos.
estabelecer uma política de incentivo à escrita correta das palavras.
Gabarito:
estabelecer um jogo de palavras a fim de produzir efeito de humor.
A) INCORRETA: pois o objetivo, como nos aponta o início do texto, é evidenciar o tom humorístico apontado por Rui Barbosa enquanto ele avalia o uso das variações linguísticas.
B) INCORRETA: no final do texto, não é apresentado que Rui Barbosa ficou incomodado com a variação linguística utilizada pelo alfaiate, mas somente que ele foi interrompido pelo trabalhador.
C) CORRETA: No início do texto, o narrador já avisa tratar-se de uma piada, logo, o efeito entre águia, o belo pássaro, e aguia, forma popular de referir-se à agulha, estabelece um jogo de palavras a partir da mudança da sílaba tônica: águia, com a tônica no primeiro a; com a palavra aguia, com a tônica na sílaba gu. Aproveitam-se as semelhanças gráficas entre as duas palavras para criar um trocadilho bem-humorado.
D) INCORRETA: não se tece uma crítica explícita à lignuagem que as pessoas utilizam fora dos centros urbanos, mas é feita um reflexão que quando se imagina que é utilizada a variante padrão na escrita, ainda é possível perceber outras variantes na fala.
E) INCORRETA: não é possível inferir que, com essa anedota, Rui Barbosa objetiva uma política de incentivo à escrita correta de palavras. Somente que é possível sempre localizar as variações linguísticas do país.