(ENEM - 2014)
Censura moralista
Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura.
LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento).
Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora
ressalta a importância de os professores incentivarem os jovens às práticas de leitura.
critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitura à precariedade de bibliotecas.
rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes no combate à crise de leitura.
questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas.
atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinteresse dos jovens por livros de qualidade.
Gabarito:
questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas.
A) INCORRETA: o foco do texto não está no fato de professores ressaltarem a importância da leitura, até porque esses agentes educacionais são pouco citados ao longo da argumentação.
B) INCORRETA: porque a crítica apresentada no texto está vinculado à existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas. Perceba isso no fragmento a seguir "E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim..." No trecho " Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim..." invalida a alternativa e a ideia de que a crise da leitura está ligada totalmente com a precariedade das bibliotecas.
C) INCORRETA: em nenhum momento a autora diz da eficácia desses projetos, apenas de que eles existem e há um esforço para realizá-los.
D) CORRETA: Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou despertam polêmica. A autora do texto questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas. Essa informação está presente no seguinte trecho do texto: “Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura.”
E) INCORRETA: A autora apresenta, no início do texto, argumentos "tradicionais" sobre a leitura: que se lê pouco, que não há acesso, não há interesse, não há incentivo. Logo na sequência, por meio da oposição introduzida pela conjunção "mas", ela mesma passa a questionar esses argumentos, dizendo que parece haver um outro lado da história — a leitura existe sim, e há, sim, incentivos a ela. A falha, para Lajolo, talvez esteja nesse senso-comum, e nos recortes das pesquisas, e não nas políticas de leitura e nos jovens em si. Logo, os dados trazidos não partem da opinião da autora, e sim de outras opiniões que ela faz questão de rebater em seu texto, por meio de novas pesquisas.