(ENEM - 2014)
Cordel resiste à tecnologia gráfica
O Cariri mantém uma das mais ricas tradições da cultura popular. É a literatura de cordel, que atravessa os séculos sem ser destruída pela avalanche de modernidade que invade o sertão lírico e telúrico. Na contramão do progresso, que informatizou a indústria gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte, e a Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em suas oficinas, velhas máquinas para impressão dos seus cordéis.
A chapa para impressão do cordel é feita à mão, letra por letra, um trabalho artesanal que dura cerca de uma hora para confecção de uma página. Em seguida, a chapa é levada para a impressora, também manual, para imprimir. A manutenção desse sistema antigo de impressão faz parte da filosofia do trabalho. A outra etapa é a confecção da xilogravura para a capa do cordel.
As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeira. A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos índios, como uma atividade extra-catequese, partindo do princípio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, sujeita aos maus pensamentos, ao pecado. A xilogravura antecedeu ao clichê, placa fotomecanicamente gravada em relevo sobre metal, usualmente zinco, que era utilizada nos jornais impressos em rotoplanas.
VICELMO, A. Disponível em: www.onordeste.com. Acesso em: 24 fev. 2013 (adaptado).
A estratégia gráfica constituída pela união entre as técnicas da impressão manual e da confecção da xilogravura na produção de folhetos de cordel
realça a importância da xilogravura sobre o clichê.
oportuniza a renovação dessa arte na modernidade.
demonstra a utilidade desses textos para a catequese.
revela a necessidade da busca das origens dessa literatura.
auxilia na manutenção da essência identitária dessa tradição popular.
Gabarito:
auxilia na manutenção da essência identitária dessa tradição popular.
A) INCORRETA: pois com a união da xilografura com o gráfico não realça a improtância da xilografura com o clichê, mas tenta preservar uma cultura nordestina muito importante.
B) INCORRETA: A estratégia gráfica para auxiliar a confecção do cordel tem como objetivo em manter a identidade da tradição popular, isso é marcante no primeiro parágrafo a partir do seguinte trecho ". É a literatura de cordel, que atravessa os séculos sem ser destruída pela avalanche de modernidade que invade o sertão lírico e telúrico. Na contramão do progresso, que informatizou a indústria gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte, e a Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em suas oficinas, velhas máquinas para impressão dos seus cordéis."
C) INCORRETA: pois o próprio texto aponta que o objetivo não era para a catequese propriamente dito, mas para algo além disso, como se vê em "Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos índios, como uma atividade extra-catequese".
D) INCORRETA: a nenhum momento o texto discutiu a ideia de que o uso de técnicas manuais e da xilogravura serviram para buscar as origens da literatura, mas como uma forma de manter a identidade popular.
E) CORRETA: O trecho apresentado na questão mostra a riqueza dos cordéis e de sua produção. Conforme o próprio texto, essa arte mantém-se em sua tradição: "Na contramão do progresso, que informatizou a indústria gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte, e a Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em suas oficinas, velhas máquinas para impressão dos seus cordéis.". Aliado ao fazer da xilogravura, o processo de construção do cordel baseia-se em costumes do início de sua história.