(ENEM - 2014)
Tarefa
Morder o fruto amargo e não cuspir
Mas avisar aos outros quanto é amargo
Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
Sofrer o esquema falso e não ceder
Mas avisar aos outros quanto é falso
Dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a não pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função sintática,
a ligação entre verbos semanticamente semelhantes.
a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis.
a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório.
a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo.
Gabarito:
a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
A) INCORRETA: A conjunção mas não tem esta função sintática de ligar verbos, mas orações ou ideias contrárias. Vemos que essa função da conjunção é reforçada pelo sentido do poema, que é de apresentar logo depois de uma ideia algo oposto.
B) INCORRETA: A conjunção vai ligar ideias opostas, como é o que ocorre nos usos costumeiros de "mas", no entanto, não há nenhum elemento dentro deste poema que nos indique que esses elementos opostos são inconciliáveis, ou seja, impossíveis de estarem juntos.
C) CORRETA: A conjunção mas liga um verso que expressa uma fatalidade, algo que pode acontecer na história de vida de qualquer pessoa, com outro verso que vai expressar o que deve ser feito o que pode ser feito, qual a tarefa que deve ser realizada a fim de melhorar o mundo em que se vive.
D) INCORRETA: Não há enunciado introdutório no poema e, mesmo se houvesse, dificilmente o "mas" serviria como reforço dessa ideia, já que sua função principal é opor tudo que vem antecedendo-o.
E) INCORRETA: A conjunção não liga a intensidade dos problemas do mundo, nem seria esta sua função sintática. Outras conjunções e elementos da linguagem, como as figuras da hipérbole, personificação e afins, trabalham a construção de imagens sobre problemas sociais.