(ENEM - 2014)
Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. “Doutrinas principais”. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.
No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim
alcançar o prazer moderado e a felicidade.
valorizar os deveres e as obrigações sociais.
aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
Gabarito:
alcançar o prazer moderado e a felicidade.
a) Correta. alcançar o prazer moderado e a felicidade.
Segundo Epicuro, o prazer é o princípio e o fim da vida feliz, sendo a felicidade o objetivo primordial da filosofia, o que permite identificar a ética epicurista como hedonista. A saúde da alma consiste, então, no caminho da felicidade, o qual é trilhado por meio da posse de uma phronesis, isto significa, uma sabedoria prática que indica um cálculo dos prazeres e um proceder equilibrado. A felicidade é um caminho possível, o qual não é difícil de ser atingida, é preciso escolher corretamente os objetos do desejo. Destarte, Epicuro distingue os tipos de desejos, sendo que alguns dos desejos são naturais e outros ilusórios. Quanto aos naturais, alguns são necessários e outros somente naturais; no que se refere aos necessários, alguns importam à felicidade, outros à tranquilidade e outros à própria vida. O prazer epicurista, descrito como a ataraxia da alma, é um estado de imperturbabilidade da alma, do qual se depreende uma doença da alma, uma perturbação. Esta consiste numa vida dedicada aos falsos prazeres de movimento, os quais envolvem a alma numa felicidade transitória, dissolúvel e inquieta.
b) Incorreta. valorizar os deveres e as obrigações sociais.
A ética epicurista não pretende valorizar os deveres e as obrigações pessoais em busca de ordenação dos desejos, e sim, ensinar o indíviduo a ser moderado em seus desejos.
c) Incorreta. aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
Esse é um elemento da doutrina estoica, não do epicurismo, que visa, na verdade, uma moderação dos desejos, um meio termo, para que seja atingido a tranquilidade da alma.
d) Incorreta. refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
Na carta a Meneceu, Epicuro descreve como um dos elementos do quádruplo remédio — a reflexão do homem sábio — a opinião correta acerca dos deuses, pois a sociedade grega era atormentada por falsas crenças quanto ao caráter dos seres divinos. Nesse sentido, deve-se considerar, acerca dos deuses, a noção impressa no homem pela natureza, cuja ideia expressa imortalidade e felicidade. Os deuses existem, como a maioria crê, mas não do mesmo modo como a maioria crê, pois eles permanecem em uma felicidade imortal, sem se importar com os desígnios humanos. Portanto, a alternativa é falsa, pois o homem não tem como fim refletir sobre essas normas, porém o prazer, e, para isso, deve ter uma noção correta dos deuses, segundo Epicuro.
e) Incorreta. defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
Essa é uma posição do ceticismo pirrônico, não do epicurismo.