(ENEM - 2011)
Guardar
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de uma nação. Ela está presente nas lembranças do passado e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético como uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto
ressalta a importância dos estudos históricos para a construção da memória social de um povo.
valoriza as lembranças individuais em detrimento das narrativas populares ou coletivas.
reforça a capacidade da literatura em promover a subjetividade e os valores humanos.
destaca a importância de reservar o texto literário àqueles que possuem maior repertório cultural.
revela a superioridade da escrita poética como forma ideal de preservação da memória cultural.
Gabarito:
reforça a capacidade da literatura em promover a subjetividade e os valores humanos.
a) Alternativa incorreta. O texto não se refere a estudos históricos, mas ao fazer artístico, poético.
b) Alternativa incorreta. A ideia passada pelo texto é justamente que uma pessoa produza algo e outras leiam, consumam, para que essa memória passe de geração para geração, alcançando inclusive outros lugares. Logo, não se trata de uma perspectiva que valoriza o individual, mas sim as experiências e vivências coletivas.
c) Alternativa correta. A subjetividade se dá justamente na escrita poética, que relata experiências e sensações individuais, e os valores humanos são o conteúdo das obras, aquilo que se valoriza para se passar adiante.
d) Alternativa incorreta. O texto incentiva a escrita sobre qualquer experiência, contanto que ela seja importante para a pessoa que escreve.
e) Alternativa incorreta. O texto coloca como uma das ferramentas para a preservação cultural, mas não diz que é a ideal.