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Questão 21765

ENEM 2010
Português

(ENEM PPL - 2010)

Texto I

XLI

Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.

HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).

Texto II

Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento).

Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a temática comum é

A

o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só.

B

a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos versos de Hilda Hilst, a afirmação do eu lírico de que odeia a si mesmo.

C

o “outro” que se confunde com o eu lírico, verificando- se, porém, nos versos de Camões, certa resistência do ser amado.

D

a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o ódio ou o amor se produzem no imaginário, sem a realização concreta.

E

o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados, nos Textos I e II, respectivamente, o ódio e o amor.

Gabarito:

o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só.



Resolução:

A) CORRETA: Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a temática comum é o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só;

Poema I:

(...)
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.

Poema II:

“Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar; (...)
A alternativa A, portanto, é a correta.

B) INCORRETA: no segundo poema pode até se inferir que é a fusão do outro com o “eu lírico”, mas no primeiro poema isso não é possível afirmar, porque toda a construção feita por Hilda Hist é a de que o “outro” a quem ela se refere é ela mesmo, porque ela se questiona como seria odiar e temer a si mesma.

C) INCORRETA: não é indicado nenhuma resistência por parte do ser amado no poema de Camões, porque nos dois últimos versos já vemos que a coisa amada se fundiu ao ser que ama, já que o eu lírico diz “pois em mim tenho a parte desejada.”

D) INCORRETA: pois no poema de Hilda Hist não é desassociado a imagem do eu lírico com a imagem do outro, porque são ambos as mesmas pessoas. Em Camões, vemos que no início há essa desassociação, mas depois o ser amado e o ser que ama vão se transformar em um.

E) INCORRETA: o movimento de associação não parte do “outro” para o “eu”, mas ao contrário. Em ambas as poesias é o eu lírico que tem o movimento de ir ao encontro do outro para que eles sejam considerados apenas um.

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