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Questão 1831

ENEM 2010
Português

(ENEM PPL - 2010) 

Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el – carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o l pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer.

Queiroz, R. O Estado de São Paulo. 09 maio 1998 (fragmento adaptado).

Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se 

A

na fonologia.   

B

no uso do léxico.    

C

no grau de formalidade.    

D

na organização sintática.    

E

na estruturação morfológica. 

Gabarito:

na fonologia.   



Resolução:

A) CORRETA: A Fonologia (do Grego phonos = som e logos = estudo) é o ramo da Línguística que estuda o sistema sonoro de um idioma. Ao comentar as variações que se percebem no falar de pessoas de diferentes regiões (“Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el – carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o l pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer”), a autora analisa as mudanças fonéticas características de cada região.  

B) INCORRETA: pois em nenhum momento a autora cita o uso do léxico (escolha de palavras) pelos falantes da região paulista, mas sim o modo como eles falam, seu sotaque.

C) INCORRETA: uma vez que não se estuda os modos de usar a língua nos diversos contextos comunicativos (formal ou informal), mas sim como os paulistas pronunciam as palavras.

D) INCORRETA: no texto, não há indicativos de que Rachel de Queiroz esteja analisando a ordem de elementos numa sentença que os paulistas fazem, mas apenas o modo como eles falam determinadas palavras.

E) INCORRETA: não se diz respeito à estrutura morfológica das palavras, ou seja, as desinências que são alinhadas aos radicais e outras palavras que se podem formar de um mesmo radical, mas sim o modo que paulistas possuem um “sotaque” em determinadas expressões.

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