(Enem 2009) No tempo da independência do Brasil, circulavam nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à revolta escrava do Haiti:
Marinheiros e caiados
Todos devem se acabar,
Porque só pardos e pretos
O país hão de habitar.
AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos pernambucanos. Recife: Cultura Acadêmica, 1907.
O período da independência do Brasil registra conflitos raciais, como se depreende
dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças.
da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas.
do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista.
do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora.
da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti.
Gabarito:
dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças.
a) dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças.
Correta. Por seu caráter abolicionista, a Independência do Haiti teve grande influência em manifestações dos negros e segmentos populares contrários à sua situação. A Conjuração Baiana (Revolta dos Alfaiates) de 1798, que teve caráter popular, além das influências da independência das Treze Colônias Inglesas, dos ideais iluministas, republicanas e emancipacionistas difundidos por uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz, teve forte influência do processo de independência do Haiti ou, haitianismo. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (defesa dos méritos e capacidades), além da instalação de uma República Baianense e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados.
b) da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas.
Incorreto. A “Noite das Garrafadas” foi um acontecimento, ocorrido em 13 de março de 1831, na cidade do Rio de Janeiro, de protesto popular contra o imperador Dom Pedro I. Representou as dificuldades políticas enfrentadas pelo imperador e teve forte influência na renúncia de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831. Dessa forma, ela é posterior a independência do Brasil.
c) do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista.
Incorreto. Não houve apoio de escravos e negros forros à monarquia. Ademais, a independência do Brasil não garantiu a abolição da escravidão.
d) do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora.
Incorreto. Os escravos trabalhadores até poderiam repudiar os marinheiros em decorrência da representatividade da elite branca opressora, mas o conflitos raciais que ocorreram, como por exemplo a Conjuração Baiana, não estão ligados a esse fato. Nota-se que naquele contexto, a proporção que revolta escrava do Haiti causou, influenciou muito mais para que esses conflitos ocorressem do que o que a afirmativa D está dizendo.
e) da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti.
Incorreto. Não houve uma notável defesa do ideal que paira sob a implantação de uma república negra, no Brasil como um todo, fomentando ainda a expulsão de vários líderes negros independentistas, como afirma a alternativa. Note que o caráter emancipacionista contido em revoltas como a Conjuração Baiana, almejavam a implantação de uma República local, separada das demais províncias. Além disso, as lideranças que protagonizaram tais movimentos foram assassinadas, e não expulsas do país.