(VUNESP – 2009)
"Por que os nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, porque há homens que se equivocam ao raciocinar, mesmo no tocante às mais simples matérias de geometria, e cometem aí paralogismos, rejeitei como falsas, julgando que estava sujeito a falhar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. E enfim, considerando todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos podem também ocorrer quando dormimos, sem que haja nenhum, nesse caso, que seja verdadeiro, resolvi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capaz de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio de Filosofia que procurava."
Discurso do Método, abril, 1979
“Penso, logo existo” significa que
Minha alma pensa.
Meu corpo pensa.
Minha alma sente.
Meu corpo sente.
Meu corpo existe.
Gabarito:
Minha alma pensa.
a) Correta. Minha alma pensa.
Descartes abandona noções escolásticas de influência grega sobre a alma sensitiva ou vegetativa, considerando a alma apenas em sua dimensão do pensar. A alma tem como única função a do pensamento. Ademais, o primeiro princípio da filosofia de Descartes é o cogito, o homem enquanto um ser pensante. A existência do sujeito é demonstrada pelo ato próprio de pensar, pois, ao pensar, deve-se supor uma consciência que pensa, da qual não se pode duvidar. Daí deriva-se a afirmação: penso, logo existo.
b) Incorreta. Meu corpo pensa.
Descartes considera o corpo humano em seu aspecto material e mecânico, acerca da ideia do ser humano em seu aspecto animal como semelhante aos animais sem razão, que funcionam a partir das leis naturais, sendo que a alma tem como única função a do pensamento. Portanto, o corpo não pensa, apenas a alma; o corpo é como uma máquina.
c) Incorreta. Minha alma sente.
Descartes abandona noções escolásticas de influência grega sobre a alma sensitiva ou vegetativa, considerando a alma apenas em sua dimensão do pensar. A alma tem como única função a do pensamento. A sensação possui dependência do corpo e, por isso, não é uma atividade da alma.
d) Incorreta. Meu corpo sente.
A máxima "Penso, logo existo" não se volta à confirmação da sensação do corpo, mas a certeza do eu pensante.
e) Incorreta. Meu corpo existe.
A certeza do corpo, num primeiro momento, é colocada em dúvida por Descartes, assim como das coisas sensíveis em geral.