(UNICENTRO - 2013/2)
Assinale a alternativa INCORRETA.
Pode-se dizer que a política de Maquiavel é realista, pois procura a verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. A esse realismo alia-se a tendência utilitarista, pela qual Maquiavel pretende desenvolver uma teoria voltada para a ação eficaz e imediata.
Em relação ao pensamento medieval, Maquiavel procede à secularização da política, rejeitando o legado ético-cristão.
Maquiavel se distancia da política normativa dos gregos e medievais, pois não mais busca as normas que definem o bom regime, nem explicita quais devem ser as virtudes do bom governante.
Maquiavel está a procura do príncipe ideal, indicando as normas para conquistar e não perder o poder. Nesta perspectiva, não há diferenças entre o “dever ser” da política clássica e aquele a que se refere Maquiavel na obra O príncipe.
Embora Maquiavel não tivesse usado o conceito de razão de Estado, é considerado o pensador que começa a esboçar a doutrina que vigorará no século seguinte, quando o governo absoluto, em circunstâncias críticas e extremamente graves, a ela recorre permitindo-se violar normas jurídicas, morais, políticas e econômicas.
Gabarito:
Maquiavel está a procura do príncipe ideal, indicando as normas para conquistar e não perder o poder. Nesta perspectiva, não há diferenças entre o “dever ser” da política clássica e aquele a que se refere Maquiavel na obra O príncipe.
d) Incorreta. Maquiavel está a procura do príncipe ideal, indicando as normas para conquistar e não perder o poder. Nesta perspectiva, não há diferenças entre o “dever ser” da política clássica e aquele a que se refere Maquiavel na obra O príncipe.
Maquiavel não está a procura do príncipe ideal, pois rejeita noções normativas e idealistas. De fato, indica análises do poder em direção à conservação desse, porém segundo um pragmatismo. Logo, ele se diferencia da política clássica baseada no "dever ser".
a) Correta. Pode-se dizer que a política de Maquiavel é realista, pois procura a verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. A esse realismo alia-se a tendência utilitarista, pela qual Maquiavel pretende desenvolver uma teoria voltada para a ação eficaz e imediata.
Maquiavel, como um pensador pragmatista, adequa a sua filosofia à realidade como ela se apresenta, sem idealidades. Ele inaugura a separação entre a ética e a política, fundando a ciência política como análise dos fatos sem o juízo de valor. Essa separação determina a distinção entre o fato e o ideal, isto é, daquilo que é, na realidade histórica e social, e daquilo que deve ser, no plano da normatividade e do ideal; a partir dessa distinção, Maquiavel introduz uma perspectiva política segundo a realidade factual, daquilo que ocorre em detrimento do que é ideal, pois, para ele, a política deve ser norteada pelas contingências históricas e não de ideais metafísicos.
b) Correta. Em relação ao pensamento medieval, Maquiavel procede à secularização da política, rejeitando o legado ético-cristão.
A concepção moral pragmática de Maquiavel é oposta à concepção transcendente e normativa da moralidade cristã. Maquiavel visa se opor às perspectivas políticas escolásticas e medievais, que buscavam nortear a vida política e o governo do príncipe no que deve ser, numa metafísica e no ideal.
c) Correta. Maquiavel se distancia da política normativa dos gregos e medievais, pois não mais busca as normas que definem o bom regime, nem explicita quais devem ser as virtudes do bom governante.
Maquiavel visa se opor às perspectivas políticas gregas, escolásticas e medievais, que buscavam nortear a vida política e o governo do príncipe no que deve ser, numa metafísica e no ideal. Nesse sentido, a virtude é a habilidade do princípe em se adequar às circunstâncias como estas se apresentam, sem apresentar idealidades éticas, morais ou de poder, a fim de estabelecer o seu poder a partir das circunstâncias.
e) Correta. Embora Maquiavel não tivesse usado o conceito de razão de Estado, é considerado o pensador que começa a esboçar a doutrina que vigorará no século seguinte, quando o governo absoluto, em circunstâncias críticas e extremamente graves, a ela recorre permitindo-se violar normas jurídicas, morais, políticas e econômicas.
Maquiavel não usou o conceito de razão de Estado, o qual compreende que a segurança do Estado é uma exigência tão importante que os governos, para assegurá-la, são forçados a transgredir normas jurídicas, políticas, morais e econômicas imperativas. Porém, ainda sim, essas noções já se encontram em seus escritos. Ele postula as concepções de fortuna e virtú: o príncipe deve ter a virtú para dominar a fortuna, isto é, a capacidade e a virtude de dominar o acaso e os acontecimentos que ocorrem casualmente para a permanência no poder. Em Maquiavel, é inaugurada a ideia do poder pelo poder.