(UNICAMP - 2019 - 2ª fase)
Alguém já escreveu que a internet é um instrumento democrático. Tomada ao pé da letra, essa afirmação é falsa. Eu gostaria de corrigi-la, acrescentando: a internet é um instrumento potencialmente democrático. Para fazer uma pesquisa navegando na web, precisamos saber como dominar os instrumentos do conhecimento: em outras palavras, precisamos dispor de um privilégio cultural que é ligado ao privilégio social. As escolas precisam da internet, mas a internet precisa de uma escola onde o ensino real acontece. A internet não apenas faz referência aos livros, mas pressupõe livros. A leitura fragmentada em palavras e frases isoladas do contexto integral sempre foi parte da leitura de cada um, mas o livro é o instrumento que nos ensina a dominar a extraordinária velocidade da internet – para ser capaz de usá-la, você precisa aprender a “ler devagar”. Não consigo imaginar que alguém possa aprender sozinho, sem modelos, a prática profundamente artificial da leitura lenta. Daí a internet pressupor não apenas os livros, mas também aqueles que ensinam a ler livros — ou seja, professores em carne e osso.
(Adaptado de “Carlo Ginzburg: a internet é um instrumento potencialmente democrático”. Disponível em http://www.fronteiras.com/artigos/carlo-ginzburg-ainternet-nao-apenas-remete-aos-livros-como-tambem-pressupoe-livros-1427135419. Acessado em 02/09/2018.)
a) De que argumentos o autor se vale para refutar a afirmação de que a internet é um instrumento democrático?
b) Explique por que a internet pressupõe “professores em carne e osso” e livros.
Gabarito:
Resolução:
a) O autor se vale de alguns argumentos para justificar a tese de que a internet é um instrumento democrático. Ele, primeiramente, corrige essa informação, acrescentando que a internet é “potencialmente democrática”, uma vez que o usuário da rede precisa dominar os instrumentos do conhecimento, que, de acordo com ele, é algo ligado ao privilégio social. Em seguida, ele defende que o ensino nas escolas precisa ser eficiente. Há que saber ler fora da internet, nos livros. Finalmente, o autor argumenta que a internet pressupõe os livros e os professores para ser, de fato, democrática.
b) De acordo com o texto, a internet pressupõe “professores em carne e osso” e livros porque, ela não apenas se refere aos livros, mas pressupõe a leitura e conhecimento dos livros. É necessário, portanto, dominar a leitura de livros (ler devagar) para dominar a “extraordinária velocidade da internet”. Quanto à figura dos “professores em carne e osso”, estes são necessários, pois são eles que ensinam a ler livros e, consequentemente, a “ler a / na internet”.