Publicidade
Publicidade

Questão 6

UNICAMP 2016
Português

(UNICAMP - 2016 - 2ª fase)

“(...) Eram boas cinco horas da tarde quando desembarcamos no Terreiro do Paço.

Assim terminou a minha viagem a Santarém; e assim termina este livro.

Tenho visto alguma coisa do mundo, e apontado alguma coisa do que vi. De todas quantas viagens porém fiz, as que mais me interessaram sempre foram as viagens na minha terra.

Se assim pensares, leitor benévolo, quem sabe? pode ser que eu tome outra vez o bordão de romeiro, e vá peregrinando por esse Portugal fora, em busca de histórias para te contar.

Nos caminhos de ferro dos barões é que eu juro não andar.

Escusada é a jura, porém. Se as estradas fossem de papel, fá-las-iam, não digo que não.

Mas de metal!

Que tenha o governo juízo, que as faça de pedra, que pode, e viajaremos com muito prazer e com muita utilidade e proveito na nossa boa terra.”

(Almeida Garret, Viagens na Minha Terra. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2012, p. 316.)

 

a) Considerando a crítica ao contexto histórico e político de Portugal, o que significam as referências às possíveis estradas de papel, de metal e de pedra?

b) Utilizando elementos do enredo, identifique e descreva o personagem do romance que centraliza a crítica à hipocrisia ideológica e política de Portugal, expressa no excerto acima de maneira irônica.

Gabarito:

Resolução:

a) No contexto da guerra civil portuguesa, um conflito do início do século XIX entre absolutistas e liberais, a referência às estradas de papel simboliza a inefetividade das ações propostas pelos liberais constitucionalistas, que se dão apenas no campo do discurso e da retórica (sem ações efetivas, ficam apenas no papel). Já as estradas de metal representam o avanço industrial e tecnológico que, novamente, fica apenas no papel. Por fim, as estradas de pedra representam o conservadorismo e o quão arcaico Portugal pode ser.

b) O personagem do romance que centraliza a crítica à hipocrisia ideológica e política de Portugal é Carlos. Inicialmente, Carlos é um jovem apaixonado e sonhador que busca a transformação de seu país. Ao final da história, contudo, ele sucumbe às amarras do capitalismo após se tornar um barão. A partir disso, podemos observar que o processo de retrogradação de Carlos funciona como a retrogradação de Portugal.

Questões relacionadas

Questão 77

(UNICAMP - 2016 - 1ª fase)   Em sua versão benigna, a valorização da malandragem corresponde ao elogio da criatividade adaptativa e da predominância da...
Ver questão

Questão 78

(UNICAMP - 2016 - 1ª fase) Leia com atenção o texto abaixo. Nunca conheci quem tivesse sido tão feliz como nas redes sociais (...) Eu tenho inveja de mim no Instagram...
Ver questão

Questão 18265

(UNICAMP - 2016 - 1ª fase) A publicidade acima foi divulgada no site da agência FAMIGLIA no dia 24 de janeiro de 2007, véspera do aniversário de São P...
Ver questão

Questão 18266

(UNICAMP - 2016)  É possível fazer educação de qualidade sem escola           É possível fazer educação embaixo...
Ver questão
Publicidade