(UNICAMP - 2015) Com a partida de D. João VI, permaneceu como regente do reino do Brasil o príncipe herdeiro. Contrário à ideia de submissão do monarca a uma assembleia, que ele considerava despótica, mas incapaz de deter o rumo dos acontecimentos, D. Pedro habilmente se aproximou de uma facção da elite brasileira, a dos luso-brasileiros.
(Adaptado de Guilherme Pereira das Neves, “Del Imperio lusobrasileño al imperio del Brasil (1789-1822)”, em François-Xavier Guerra (org.), Inventando la nación. México: FCE, 2003, p. 249.)
Considerando os processos de independência no continente americano,
a) apresente duas diferenças importantes entre o processo de independência no mundo colonial espanhol e o processo de independência do Brasil.
b) explique a importância dos luso-brasileiros no governo de D. Pedro I e por que eles foram a causa de diversos conflitos no período.
Gabarito:
Resolução:
a) As diferenças são relativas à organização territorial e ao modelo político adotados, junto à questão da escravidão: no caso das independências da América Espanhola, o modelo republicano foi adotado e as ex-colônias fragmentaram-se pelo território, enquanto a escravidão foi abolida.
b) A importância dos luso-brasileiros (“partido português”) no governo de D. Pedro I tem relação ao apoio que ofereciam ao monarca e a sua lógica centralizadora, expressa na Constituição outorgada em 1824 e na imposição do Poder Moderador. A aproximação entre os dois desagradava aos brasileiros que não concordavam com a conduta do imperador, estimulando um sentimento antilusitano no “partido brasileiro”. Dessa forma, os grupos se dividiam em dois projetos políticos diferentes e se envolveram em diversos conflitos e disputas, como A Noite das Garrafadas e o Ministério dos Marqueses.