(UNICAMP - 2008 - 1a fase - Questão 2)
TEXTO 3 COLETÂNEA
Com 800 mil habitantes, o Rio de Janeiro era uma cidade perigosa. Espreitando a vida dos cariocas estavam diversos tipos de doenças, bem como autoridades capazes de promover sem qualquer cerimônia uma invasão de privacidade. A capital da jovem República era uma vergonha para a nação. As políticas de saneamento de Oswaldo Cruz mexeram com a vida de todo mundo. Sobretudo dos pobres. A lei que tornou obrigatória a vacinação foi aprovada pelo governo em 31 de outubro de 1904; sua regulamentação exigia comprovantes de vacinação para matrículas em escolas, empregos, viagens, hospedagens e casamentos. A reação popular, conhecida como Revolta da Vacina, se distinguiu pelo trágico desencontro de boas intenções: as de Oswaldo Cruz e as da população. Mas em nenhum momento podemos acusar o povo de falta de clareza sobre o que acontecia à sua volta. Ele tinha noção clara dos limites da ação do Estado.
(Adaptado de José Murilo de Carvalho, “Abaixo a vacina!”. Revista Nossa História, ano 2, no . 13, novembro de 2004, p. 74.)
A partir da leitura do texto 3 da coletânea e de seus conhecimentos, responda às questões abaixo:
a) De que maneira as medidas sanitárias, no Rio de Janeiro do início do século XX, “mexeram com a vida de todo mundo, sobretudo dos pobres”?
b) Indique dois fatores que restringiam a participação política dos trabalhadores na Primeira República.
Gabarito:
Resolução:
a) Essas medidas impactaram no desrespeito à liberdade individual e à privacidade domiciliar desses indivíduos, por exemplo, pela obrigatoriedade da vacinação e da desinfecção dos espaços por agentes sanitários — fora as restrições no acesso à educação, trabalho, e outros campos, mencionados no texto. Dentro disso, tem-se a condição marginalizada em que a população de baixa renda foi colocada, graças às medidas de demolição de cortiços localizados na área central.
b) Dentre os fatores relacionados à participação política dos trabalhadores, temos: a impossibilidade de voto de grande parte da população, devido à exclusão eleitoral dos analfabetos; a vigência do voto aberto, que gerava o controle do eleitorado pelo voto de cabresto; bem como a fraqueza dos sindicatos e a repressão do governo perante qualquer tentativa de organização dos trabalhadores (sindicatos, jornais, associações), o que incluía deportação de estrangeiros envolvidos com isso.