(UNICAMP - 2006 - 2ª FASE)
Um dos mandamentos do século XIX, na Europa, era o evangelho do trabalho. Para os ideólogos da classe média, o ideal do trabalho implicava autodisciplina e sentido atento do dever. Até mesmo os mais devotos ousavam modificar a palavra de Deus. As Escrituras haviam considerado o trabalho como castigo severo imposto por Deus a Adão e Eva. Mas para os ideólogos burgueses, o trabalho era prevenção contra o pecado mortal da preguiça. O evangelho do trabalho era quase exclusivamente um ideal burguês. Em geral, os nobres não lhe davam valor. O desprezo aristocrático pelo trabalho era um resquício feudal.
(Adaptado de Peter Gay, O século de Schnitzler. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 210-1, 214 e 217-8.)
a) Segundo o texto, como o trabalho era visto pela Bíblia, pela burguesia e pela aristocracia?
b) Como a burguesia buscou disciplinar os trabalhadores no contexto da Revolução Industrial?
Gabarito:
Resolução:
a) A Bíblia considerava o trabalho um castigo divino imposto a Adão e Eva pois, antes de terem cometido o pecado original, não necessitavam trabalhar. Essa lógica se aproxima da visão aristocrática, que também desprezava o trabalho, renegando esse tipo de atividade aos servos. Por outro lado, a lógica burguesa valorizava o trabalho, tendo em vista que suas práticas econômicas dependiam da utilização da mão de obra de outras pessoas. Dessa forma, o culto ao ócio no feudalismo torna-se uma negação ao ócio a partir das revolução burguesas.
b) Houveram várias formas de se disciplinar os trabalhadores ao longo da Revolução Industrial, seja a partir da vigilância e dos descontos nos salários por conta de erros, atrasos e desperdícios, mas também a partir da educação, seja ela através de atividades lúdicas, como o futebol, que buscavam criar uma união entre os trabalhadores em prol da empresa, seja através das escolas e da reprodução da ética protestante.