(UNESP - 2022 - 1ª fase - DIA 2)
Ao cunhar a frase “natureza atormentada,” no início do século XVII, numa referência ao objeto do conhecimento científico, Francis Bacon não imaginou que esse ideal iria, no século XXI, atormentar filósofos e cientistas. O “tormento” do mundo natural, para ele, significava conhecê-lo, não pelo saber desinteressado, mas para dominar, transformar e, então, utilizar esse universo da maneira mais eficiente. O berço da ciência moderna trazia a estrutura para que o ideal de controle da natureza pudesse ser realizado. A partir de então, essa relação entre ciência e técnica foi naturalmente se estreitando.
(Carlos Haag. “Natureza atormentada”. https://revistapesquisa.fapesp.br, agosto de 2005. Adaptado.)
De acordo com o tema abordado pelo excerto, o “tormento” gerado em filósofos e cientistas contemporâneos se dá devido à problematização da
eficácia de teorias.
natureza do conhecimento.
noção de progresso.
confiança nos resultados.
verificação dos experimentos.
Gabarito:
noção de progresso.
c) Correto. noção de progresso.
Inicialmente, para Francis Bacon, o domínio do homem sobre uma natureza atormentada para dominá-la deve-se à compreensão das coisas naturais como sem ordem, submetida ao caos, competindo ao homem, que é racional, controlá-la por meio da ciência. A noção do trabalho adquire importância aqui, para valorizar o conhecimento científico como meio de alcançar o progresso humano. Agora, o tormento desloca-se para os dilemas que o progresso científico causara aos ecossistemas naturais, acerca da discussão do desenvolvimento científico sustentável, e da relação entre técnica e ciência, palco de longos debates entre cientistas e filósofos, os quais lançam indagações sobre a noção de progresso como valoração da ciência.
a) Incorreta. eficácia de teorias.
No trecho, não discute-se se as teorias são eficazes, pois não se coloca em debate nem ao menos os critérios de eficácia das teorias.
b) Incorreta. natureza do conhecimento.
Não há discussão de natureza epistemológica no texto, isto é, não questiona-se sobre o que é o conhecimento, sobre como conhecer as coisas, mas as causas de um conhecimento científico atrelado à noção de progresso.
d) Incorreta. confiança nos resultados.
No texto, não discute-se sobre a confiança dos cientistas e filósofos nos resultados provenientes do progresso científico, mas a própria noção de progresso.
e) Incorreta. verificação dos experimentos.
Não há menção quanto à verificação dos experimentos, uma questão sobre o modo como se dá o conhecimento científico, como determiná-lo.