(UNESP - 2022 - 1ª fase - DIA 2)
Carpe diem. É um lema latino que significa, lato sensu, “aproveita bem o dia” ou “aproveita o momento fugaz”. Esta expressão tem paralelo em línguas modernas, como no inglês: “Take time while time is, for time will away”.
(Carlos Alberto de Macedo Rocha. Dicionário de locuções e expressões da língua portuguesa, 2011. Adaptado.)
Tal lema manifesta-se mais explicitamente nos seguintes versos de Fernando Pessoa:
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no
[Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra
[qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…
Sofro, Lídia, do medo do destino.
A leve pedra que um momento ergue
As lisas rodas do meu carro, aterra
Meu coração.
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Gabarito:
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
[E]
Os versos destacados em [E] refletem a ideia do carpe diem na medida em que a consciência da passagem do tempo (“e aprendamos/ Que a vida passa”) conduz à ação vital, ao prazer (“(Enlacemos as mãos.)”). O chamado à ação presente nesse verso final evidencia a intenção do eu lírico de aproveitar o dia e a vida enquanto eles ainda não se foram.
Esse mesmo princípio não é refletido no niilismo da existência vazia e imaterial da letra [a]; a relação ambígua com o real e certeira com o eu na letra [b]; a grandiosidade do olhar infinito e amplo da letra [c] e a relação paradoxal com a pedra que levanta e deprime da letra [d].