(UNESP - 2021 - 2ª FASE)
Leia o poema “Ausência”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder a questão.
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Corpo, 2015.)
Os três pronomes “a” do poema referem-se, respectivamente, a
ausência, falta, ausência.
ausência, ausência, falta.
falta, falta, ausência.
falta, ausência, ausência.
falta, ausência, falta.
Gabarito:
falta, ausência, ausência.
[D]
Para compreender a referência, é preciso identificar os três pronomes:
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a1 lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a2, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a3 rouba mais de mim.
1) "E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a1 lastimo." >> lastimava a falta, hoje não lastimo (a falta). Pela coerência lógica dos versos, verifica-se que a coesão referencial retoma o substantivo "falta";
2) "A ausência é um estar em mim./ E sinto-a2" >> a ausência é X, e sinto (a ausência). Pela proximidade e encadeamento aditivo das frases, nota-se que o pronome recupera o substantivo "ausência";
3) "a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a3 rouba mais de mim." >> ninguém rouba mais (essa ausência assimilada) de mim. Numa estrutura de anacoluto, o poeta recupera o substantivo "ausência", referido anteriormente como referente discursivo do objeto direto pronominal "a".
Por esses motivos, as demais combinações de palavras (exibidas em A, B, C, E) não são possíveis.