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Questão 40

UNESP 2021
Filosofia

(UNESP 2021 - 2ª fase)

O tema do mal, em Hannah Arendt, não tem como pano de fundo a malignidade, a perversão ou o pecado humano. A novidade da sua reflexão reside justamente em evidenciar que os seres humanos podem realizar ações inimagináveis, do ponto de vista da destruição e da morte, sem qualquer motivação maligna. O pano de fundo do exame da questão, em Arendt, é o processo de naturalização da sociedade ocorrido na contemporaneidade. O mal é abordado, desse modo, na perspectiva ético-política e não na visão moral ou religiosa. O mal banal caracteriza-se pela ausência do pensamento. Essa ausência provoca a privação de responsabilidade. O praticante do mal banal não se interroga sobre o sentido da sua ação ou dos acontecimentos ao seu redor.

(Odílio Alves Aguiar. “Violência e banalidade do mal”. www.revistacult.uol.com.br, 14.03.2010. Adaptado.)

Depreende-se do texto que a banalidade do mal na contemporaneidade resulta, segundo Hannah Arendt,

A

da carência de formação religiosa.

B

da irreflexão institucionalizada.

C

da ausência de pacto regulador.

D

da voracidade dos interesses econômicos.

E

da perversidade humana.

Gabarito:

da irreflexão institucionalizada.



Resolução:

b) Correta. da irreflexão institucionalizada.
Como demonstra o trecho, o "mal banal caracteriza-se pela ausência do pensamento". Ou seja, é a expressão comum: estava cumprindo ordens. Quando Arendt analisa o caso de Eichmann, este justifica o seu serviço ao nazismo com base nessa ideia, de que cumpria ordens e, por isso, transportava judeus aos campos de concentração. É a banalização do mal, a transferência de responsabilidade por falta de uma consciência individual.

a) Incorreta. da carência de formação religiosa.
O trecho "O mal é abordado, desse modo, na perspectiva ético-política e não na visão moral ou religiosa" já demonstra a falsidade dessa alternativa.

c) Incorreta. da ausência de pacto regulador.
Essa pode ser uma visão contratualista, mas não é isso que Arendt afirma no texto. Ao contrário, o pacto pode trazer a legitimação do mal, porém, por falta de consciência, o indivíduo pode simplesmente dignar-se a praticá-lo por ordem do pacto, transferindo a sua responsabilidade para este. O mal banal caracteriza-se pela ausência do pensamento.

d) Incorreta. da voracidade dos interesses econômicos.
Talvez, numa perspectiva crítica marxista, essa seja a compreensão, mas não é da Arendt, tampouco o texto demonstra isso.

e) Incorreta. da perversidade humana.
Como explica o próprio texto, o "tema do mal, em Hannah Arendt, não tem como pano de fundo a malignidade, a perversão ou o pecado humano". Logo, de forma alguma pode ser essa alternativa.

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