(UNESP - 2020 - 1 FASE) Na Europa, as forças reacionárias que compunham a Santa Aliança não viam com bons olhos a emancipação política das colônias ibéricas na América. […] Todavia, o novo Império do Brasil podia contar com a aliança da poderosa Inglaterra, representada por George Canning, primeiro-ministro do rei Jorge IV. […] Canning acabaria por convencer o governo português a aceitar a soberania do Brasil, em 1825. Uma atitude coerente com o apoio que o governo britânico dera aos EUA, no ano anterior, por ocasião do lançamento da Doutrina Monroe, que afirmava o princípio da não intervenção europeia na América.
(Ilmar Rohloff de Mattos e Luis Affonso Seigneur de Albuquerque. Independência ou morte: a emancipação política do Brasil, 1991.)
O texto relaciona
a restauração das monarquias absolutistas no continente europeu, a industrialização dos Estados Unidos e a constituição da Federação dos Estados Independentes da América Latina.
a influência da Igreja católica nos assuntos políticos europeus, o controle britânico dos mares depois do Ato de Navegação e o avanço imperialista dos Estados Unidos sobre o Brasil.
a disposição europeia de recolonização da América, o Bloqueio Continental determinado pela França e os acordos de livre-comércio do Brasil com os países hispano-americanos.
a penetração dos industrializados britânicos nos mercados europeus, a tolerância portuguesa em relação ao emancipacionismo brasileiro e a independência política dos Estados Unidos.
a reorganização da Europa continental depois do período de domínio napoleônico, os processos de independência na América e a ampliação do controle comercial mundial pela Inglaterra.
Gabarito:
a reorganização da Europa continental depois do período de domínio napoleônico, os processos de independência na América e a ampliação do controle comercial mundial pela Inglaterra.
a) a restauração das monarquias absolutistas no continente europeu, a industrialização dos Estados Unidos e a constituição da Federação dos Estados Independentes da América Latina.
Incorreta. A ideia de promover uma federação de Estados latinos era defendida por Simon Bolívar e outros articuladores dos processos de independência na América Espanhola, mas não foi colocada em prática, principalmente devido à prevalência dos interesses de hegemonia local das elites criollas, que protagonizaram tal processo.
b) a influência da Igreja católica nos assuntos políticos europeus, o controle britânico dos mares depois do Ato de Navegação e o avanço imperialista dos Estados Unidos sobre o Brasil.
Incorreta. Embora monarquias formadoras da Santa Aliança possuíssem orientação católica, a tivessem como religião oficial, a alternativa está incorreta porque o texto não se refere às interferências da Igreja em questões de natureza política. Além disso, nota-se que com o desenvolvimento e a aceitação gradual do livre comércio, os Atos de Navegação foram revogados em 1849.
c) a disposição europeia de recolonização da América, o Bloqueio Continental determinado pela França e os acordos de livre-comércio do Brasil com os países hispano-americanos.
Incorreta. Pode-se observar que o Brasil e os países formados a partir dos processos de independência da América Espanhola não praticaram acordos de livre-comércio entre si, à época.
d) a penetração dos industrializados britânicos nos mercados europeus, a tolerância portuguesa em relação ao emancipacionismo brasileiro e a independência política dos Estados Unidos.
Incorreta. Portugal não aceitou de imediato a emancipação política do Brasil, e, os Estados Unidos já eram uma nação politicamente emancipada nesse contexto.
e) a reorganização da Europa continental depois do período de domínio napoleônico, os processos de independência na América e a ampliação do controle comercial mundial pela Inglaterra.
Correta. A questão aponta para uma reflexão que se refere à onda reacionária que dominou a Europa após o término das Guerras da Revolução Francesa e da "Era Napoleônica", contrastando com a conjuntura revolucionária liberal na América Latina e com o predomínio do capitalismo inglês em relação ao comércio mundial.