(UNESP - 2019 - 1 FASE ) Leia o poema “Pobre alimária”, de Oswald de Andrade, publicado originalmente em 1925.
O cavalo e a carroça
Estavam atravancados no trilho
E como o motorneiro se impacientasse
Porque levava os advogados para os escritórios
Desatravancaram o veículo
E o animal disparou
Mas o lesto carroceiro
Trepou na boleia
E castigou o fugitivo atrelado
Com um grandioso chicote
(Pau-Brasil, 1990.)
Considerando o momento de sua produção, o poema
celebra a persistência das tradições rurais brasileiras, que inviabilizaram o avanço do processo de industrialização de São Paulo.
valoriza a variedade e a eficácia dos meios de transporte, que contribuíam para impulsionar a economia brasileira.
critica a recorrência das práticas de exploração e maus tratos aos animais nos principais centros urbanos brasileiros.
registra uma rápida cena urbana, que expõe tensões e ambiguidades no processo de modernização da cidade de São Paulo.
exemplifica o choque social constante entre as elites enriquecidas e a população pobre da cidade de São Paulo.
Gabarito:
registra uma rápida cena urbana, que expõe tensões e ambiguidades no processo de modernização da cidade de São Paulo.
d) registra uma rápida cena urbana, que expõe tensões e ambiguidades no processo de modernização da cidade de São Paulo.
Correta. A alternativa D melhor se coloca para a resposta pois, está relacionada ao contexto da cidade e das diferentes formas sociais e de transportes que apareciam no início do século XX. O foco em trabalhar as cenas cotidianas aparece nos movimentos artísticos deste período pela contestação de artes muito rígidas e academicistas do período anterior. Além da necessidade de se relacionar com a sociedade brasileira e com o cotidiano do país que aparece no próprio modernismo e em vários poemas de Oswald de Andrade. Apesar da coerência, a alternativa C não parece a mais correta pois este debate não se colocava para a época e seria anacrônico apresentá-lo aqui, apesar de o nome do poema trazer a palavra “alimária” que se refere a animal de carga. O mesmo pode-se dizer de “E”, pois ao mesmo tempo que se tem a importância dos advogados, talvez não caiba uma discussão de classe, já que temos pouca informação do cocheiro.