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Questão 30

UNESP 2017
Português

(UNESP - 2017 - 2ª fase - Questão 30) 

Leia a cena IX da comédia O Juiz de Paz da roça, do escritor Martins Pena (1815-1848), para responder à(s) questão(ões) a seguir.

 

Cena IX

Sala em casa do Juiz de paz. Mesa no meio com papéis; cadeiras. Entra o Juiz de Paz vestido de calça branca, rodaque de riscado, chinelas verdes e sem gravata.

Juiz: Vamo-nos preparando para dar audiência. (arranja os papéis) O escrivão já tarda; sem dúvida está na venda do Manuel do Coqueiro… O último recruta que se fez já vai me fazendo peso. Nada, não gosto de presos em casa. Podem fugir, e depois dizem que o Juiz recebeu algum presente. (batem à porta) Quem é? Pode entrar. (entra um preto com um cacho de bananas e uma carta, que entrega ao Juiz. Juiz, lendo a carta) “Ilmo. Sr. – Muito me alegro de dizer a V. Sa. que a minha ao fazer desta é boa, e que a mesma desejo para V. Sa. pelos circunlóquios com que lhe venero”. (deixando de ler) Circunlóquios… Que nome em breve! O que quererá ele dizer? Continuemos. (lendo) “Tomo a liberdade de mandar a V. Sa. um cacho de bananas-maçãs para V. Sa. comer com a sua boca e dar também a comer à Sra. Juíza e aos Srs. Juizinhos. V. Sa. há de reparar na insignificância do presente; porém, Ilmo. Sr., as reformas da Constituição permitem a cada um fazer o que quiser, e mesmo fazer presentes; ora, mandando assim as ditas reformas, V. Sa. fará o favor de aceitar as ditas bananas, que diz minha Teresa Ova serem muito boas. No mais, receba as ordens de quem é seu venerador e tem a honra de ser – Manuel André de Sapiruruca.” – Bom, tenho bananas para a sobremesa. Ó pai, leva estas bananas para dentro e entrega à senhora. Toma lá um vintém para teu tabaco. (sai o negro) O certo é que é bem bom ser Juiz de paz cá pela roça. De vez em quando temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc. (batem à porta) Quem é?

Escrivão (dentro): Sou eu.

Juiz: Ah, é o escrivão. Pode entrar.

Comédias (1833-1844), 2007.

 

Nesta cena, verifica-se alguma contradição na conduta do Juiz de paz? Justifique sua resposta, com base no texto.

Gabarito:

Resolução:

Existe uma contradição evidente na fala do juiz ao expor a razão de não gostar de ter presos sob a sua vigilância e ao receber o presente que um roceiro lhe envia. Se, por um lado, o magistrado afirma que receber presentes pode ser entendido como suborno para beneficiar uma das partes (“Nada, não gosto de presos em casa. Podem fugir, e depois dizem que o Juiz recebeu algum presente”), por outro, admite que lhe apraz receber presentes, como o que lhe enviara Manuel André de Sapiruruca (“O certo é que é bem bom ser Juiz de paz cá pela roça. De vez em quando temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc.”).   

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