(UNESP - 2017 - 1ª FASE) Nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza.
(Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado.)
Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer
corrobora os padrões hegemônicos de comportamento da sociedade de consumo atual.
valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana.
valoriza preferencialmente a simplicidade e a humildade, em vez do cultivo de qualidades intelectuais.
prioriza a condição social e a riqueza material como as determinações mais relevantes da vida humana.
realiza um elogio à fé religiosa e à espiritualidade em detrimento da atração pelos bens materiais.
Gabarito:
valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana.
a) INCORRETA, pois para Schopenhauer a ética é algo individual e autocentrado, que nada tem a ver com bens materiais, mas com aquilo que o indivíduo é.
b) CORRETA, já que no texto é possível perceber que o autor enfatiza constantemente a esfera individual e reflexiva do ser humano, que está relacionada com o que ele é, ou seja, espiritualmente, relacionando a felicidade e a riqueza de espírito ao caráter e a personalidade.
c) INCORRETA, já que o autor diz que aqueles que possuem um pensamento fértil e rico são os mais felizes, e incentiva o pensamento crítico e contínuo.
d) INCORRETA, pois o autor fala que os ricos de espírito são os mais felizes.
e) INCORRETA, pois o autor não faz elogios à fé religiosa, pelo contrário, incentiva muito mais a razão e o pensamento autocentrado.