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Questão 18

UNESP 2016
Português

(UNESP - 2016/2 - 1ª FASE)

Leia o trecho inicial de um poema de Álvaro de Campos, heterônimo do escritor Fernando Pessoa (1888-1935), para responder a questão.

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

(Obra poética, 1965.)

“Pobre velha casa da minha infância perdida! / Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! / Que é do teu menino? Está maluco. / Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? / Está maluco. / Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.” (4ª estrofe)

O tom predominante nesta estrofe é de 

A

 indiferença. 

B

 ingenuidade. 

C

 incerteza. 

D

acolhimento. 

E

desamparo.
 

Gabarito:

desamparo.
 



Resolução:

“Pobre velha casa da minha infância perdida! / Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! / Que é do teu menino? Está maluco. / Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? / Está maluco. / Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.” (4a estrofe)

O tom predominante nesta estrofe é de 

Alternativas

  1. indiferença. Não é perceptível pelo sentido que foi apresentado no verso, o sentimento do eu-lírico relacionado à indiferença.

  2. ingenuidade.  Não é perceptível pelo sentido que foi apresentado no verso, o sentimento do eu-lírico relacionado à ingenuidade.

  3. incerteza.  Não é perceptível pelo sentido que foi apresentado no verso, o sentimento do eu-lírico relacionado à incerteza.

  4. acolhimento.  Não é perceptível pelo sentido que foi apresentado no verso, o sentimento do eu-lírico relacionado ao acolhimento.

  5. desamparo.Comentário: alternativa correta. Ao dizer que se desacolheu: "Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! ", o eu lírico demonstra tristeza, sofrimento, desamparo, sentimentos reforçados pelas perguntas em sequência, sempre com a mesma resposta: “Está maluco”.

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