(UNESP - 2016/2 - 2 FASE)
Suponhamos, pois, que a mente é um papel em branco, desprovida de todos os caracteres, sem nenhuma ideia; como ela será suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra: da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.
(John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano [publicado originalmente em 1690], 1999. Adaptado.)
Qual é a interpretação de Locke sobre as ideias inatas? Explique quais foram as implicações do pensamento desse filósofo no que se refere à metafísica.
Gabarito:
Resolução:
A doutrina do inatismo concebe que hajam ideias inatas à mente humana, independentemente da experiência, e está fortemente associada à linha racionalista da filosofia moderna. O adversário, na filosofia, ao racionalismo é o empirismo, linha de pensamento da qual faz parte o filósofo John Locke. Como um dos fundadores do pensamento empirista, Locke compreende que não há ideias inatas, pois a mente humana é entendida como uma tábula rasa, cujas concepções têm como origem apenas a experiência. Isso implica no início da crítica da metafísica, pois o filósofo aposta mais na epistemologia do que nessa área de conhecimento, investigando as condições, a possibilidade e a fonte do conhecimento, e se importando menos com as questões intermináveis da metafísica sobre a realidade, o que é o ser, a essência das coisas, etc.