(UNESP - 2016 - 2ª fase)
O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e as origens desse povo, bem como seus valores básicos. As lendas e narrativas míticas não são produto de um autor ou autores, mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua origem cronológica é indeterminada e sua forma de transmissão é basicamente oral. O mito é, portanto, essencialmente fruto de uma tradição cultural e não da elaboração de um determinado indivíduo. O mito não se justifica, não se fundamenta, portanto, nem se presta ao questionamento, à crítica ou à correção. Um dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de explicar a realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à magia. As causas dos fenômenos naturais são explicadas por uma realidade exterior ao mundo humano e natural, superior, misteriosa, divina, a qual só os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes de interpretar, ainda que apenas parcialmente.
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2001. Adaptado.)
A partir do texto, explique como o pensamento filosófico característico da Grécia clássica diferenciou-se do pensamento mítico.
Gabarito:
Resolução:
O pensamento mítico, que objetiva a explicação da origem do mundo, o funcionamento da natureza e as origens desse povo, bem como seus valores básicos, parte de uma análise cultural e da tradição; a filosofia analisa as mesmas questões, porém, de um ponto de vista investigativo e racional, que visa fundamentar compreensões lógicas sobre a origem do mundo (investigação do princípio, da arché), o funcionamento da natureza a partir de uma ideia de ordem e estrutura do cosmos e da natureza da physis, e da ética, tendo em mente os valores. Enquanto que a tradição mítica é de origem cultural e de um povo, postula-se que a filosofia objetiva o universal, algo que possa nascer em qualquer contexto, pois o exercício da razão é uma capacidade para todo ser humano. Ao contrário dos mitos, apela ao questionamento, à crítica ou à correção, inclusive dos próprios mitos, realizada não apenas por iniciados, mas todos interessados na investigação filosófica pelo princípio da universalidade da razão.