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Questão 11

UNESP 2016
Filosofia

(UNESP - 2016 - 2ª fase)

Texto 1

– Pode-se deduzir, da influência dos órgãos, uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o desenvolvimento das capacidades morais e intelectuais? – Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as capacidades que lhe são próprias; ora, não são os órgãos que produzem as capacidades, mas as capacidades que conduzem ao desenvolvimento dos órgãos. O Espírito, se encarnando, traz certas predisposições, admitindo-se, para cada uma, um órgão correspondente no cérebro, o desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as capacidades se originassem nesses órgãos, o homem seria uma máquina sem livre-arbítrio e sem responsabilidade dos seus atos. Seria preciso admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais.

(Allan Kardec. O livro dos espíritos [texto originalmente publicado em 1848], 2011. Adaptado.)

 

Texto 2

Lobo temporal é o nome da região do córtex cerebral onde são processados os sinais sonoros. “Deduzo que a habilidade de produzir música também deve estar lá”, afirma o neurologista alemão Helmut Steinmetz, um dos pesquisadores da Universidade Henrich Heine, de Düsseldorf, Alemanha, responsáveis pela descoberta de que os músicos têm o lobo temporal esquerdo maior que o dos outros indivíduos. Steinmetz e seu parceiro Gottfried Schlaug compararam, em exames de ressonância magnética, o cérebro de trinta músicos com os de outros trinta indivíduos. Em todos, o lobo temporal esquerdo é um pouco maior que o direito, mas essa diferença chega a ser duas vezes maior entre os músicos.

(Nelson Jobim. “Um dom de gênio”. Superinteressante, maio de 2000.)

 

Considerando o conceito filosófico de “inatismo”, explique as diferenças entre os dois textos, no que se refere à origem das capacidades mentais.

Gabarito:

Resolução:

A doutrina do inatismo concebe que hajam ideias inatas à mente humana, independentemente da experiência, e está fortemente associada à linha racionalista da filosofia moderna. Em suma, Allan Kardec concebe uma noção inatista do Espírito, que é anterior à experiência e aos orgãos sensoriais, o qual direciona estes para os seus próprios fins, desenvolvendo suas capacidades e habilidades. Logo, a capacidade de um indivíduo não é determinada por suas condições biológicas, mas pela orientação livre e racional do espírito humano.

A segunda perspectiva não apela para o inatismo, antes, uma noção distintamente empirista, compreende que as capacidades humanadas são determinadas por suas características biológicas, de modo que a genialidade humana é fruto de aspectos físicos e biológicos, não de um inatismo.

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