(UNESP - 2016/2 - 1a fase)
Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material?
(Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.)
No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma
desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas.
antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias.
serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico.
é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial.
é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade.
Gabarito:
é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial.
No texto, Agostinho defende a existência da alma ao compará-la com o conceito de justiça, em relação às coisas materiais: não é somente porque não se pode pegar ou ver, que não existe. "Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material?" Assim, o filósofo prova a existência da alma com um argumento de caráter metafísico, que aponta a precedência da substância imaterial em relação à material.
d) Correta. é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial.
A prova da existência da alma, em Agostinho, se fundamenta no argumento metafísico de precedência da substância imaterial.
a) Incorreta. desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas.
A prova da existência da alma não tem papel retórico, mas demonstrativo, com pretensões objetivas.
b) Incorreta. antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias.
A prova da existência da alma antecipa o racionalismo moderno, ao valorizar o intelecto e a razão como origem das ideias e do conhecimento.
c) Incorreta. serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico.
A prova da existência da alma nunca fundamentou um argumento antiteológico.
e) Incorreta. é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade.
Agostinho se preocupa em provar a existência da alma por meio de teorizações metafísicas, ou seja, por meio da reflexão sobre a existência (do material e do imaterial), e não postula argumentos relativistas no campo ético, pois defende uma moral absoluta.