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Questão 58

UNESP 2015
Sociologia

(UNESP - 2015 - 1 FASE )

IHU On-Line – A medicalização de condutas classificadas como “anormais” se estendeu a praticamente todos os domínios de nossa existência. A quem interessa a medicalização da vida?

Sandra Caponi – A muitas pessoas. Em primeiro lugar ao saber médico, aos psiquiatras, mas também aos médicos gerais e especialistas. Interessa muito especialmente aos laboratórios farmacêuticos que, desse modo, podem vender seus medicamentos e ampliar o mercado de consumidores de psicofármacos de modo quase indefinido. Porém, esse interesse seria irrelevante se não existisse uma demanda social que aceita e até solicita que uma ampla variedade de comportamentos cotidianos ingresse no domínio do patológico. Um exemplo bastante óbvio é a escola. Crianças com problemas de comportamento mais ou menos sérios hoje recebem rapidamente um diagnóstico psiquiátrico. São medicadas, respondem à medicação e atingem o objetivo social procurado. Essas crianças que tomam ritalina ou antipsicóticos ficam mais calmas, mais sossegadas, concentradas e, ao mesmo tempo, mais tristes e isoladas.

www.ihuonline.unisinos.br. Adaptado.

Podemos considerar como uma importante implicação filosófica da medicalização da vida

A

a incorporação do conhecimento científico como meio de valorização da autonomia emocional e intelectual.

B

a institucionalização de procedimentos de análise e de cura psiquiátrica absolutamente objetivos e eficientes.

C

a proliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos que pressupõem a patologização da vida cotidiana.

D

a contribuição eticamente positiva da psiquiatrização do comportamento infantil e juvenil na esfera pedagógica.

E

o caráter neutro do progresso científico em relação a condicionamentos materiais e a demandas sociais.

Gabarito:

a proliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos que pressupõem a patologização da vida cotidiana.



Resolução:

c) Correta. a proliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos que pressupõem a patologização da vida cotidiana.
A discussão filosófica que envolvei a medicalização da vida é envolvida pela conceitualização do que é uma vida saudável e normal e do que é uma vida não saudável e anormal, o que supõe uma discussão sobre a normalidade. E é justamente a definição da normalidade que determina a patologização da vida cotidiana, pressuposta na profliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos.

 

a) Incorreta. a incorporação do conhecimento científico como meio de valorização da autonomia emocional e intelectual.
Não se questiona a incorporação do conhecimento científico como meio de valorização da autonomia emocional e intelectual, já que o texto discute a questão da patologia e não da autonomia.

b) Incorreta. a institucionalização de procedimentos de análise e de cura psiquiátrica absolutamente objetivos e eficientes.
O texto não afirma que os procedimentos de análise e de cura psiquiátrica institucionalizados são objetivos e eficientes.

d) Incorreta. a contribuição eticamente positiva da psiquiatrização do comportamento infantil e juvenil na esfera pedagógica.
O texto, ao contrário, concebe negativamente a psiquiatrização do comportamento infantil e juvenil na esfera pedagógica.

e) Incorreta. o caráter neutro do progresso científico em relação a condicionamentos materiais e a demandas sociais.
Esses condicionamentos materiais e a demandas sociais não são concebidos de forma neutra.

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