(UNESP - 2014 - 1ª FASE) A poderosa American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria – APA) lançou neste final de semana a nova edição do que é conhecido como a “Bíblia da Psiquiatria”: o DSM-5. E, de imediato, virei doente mental. Não estou sozinha. Está cada vez mais difícil não se encaixar em uma ou várias doenças do manual. Se uma pesquisa já mostrou que quase metade dos adultos americanos teve pelo menos um transtorno psiquiátrico durante a vida, alguns críticos renomados desta quinta edição do manual têm afirmado que agora o número de pessoas com doenças mentais vai se multiplicar. E assim poderemos chegar a um impasse muito, mas muito fascinante, mas também muito perigoso: a psiquiatria conseguiria a façanha de transformar a “normalidade” em “anormalidade”. O “normal” seria ser “anormal”. Dá-se assim a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir o que é ser “normal”. E assim interferir direta e indiretamente na vida de todos, assim como nas políticas governamentais de saúde pública, com consequências e implicações que ainda precisam ser muito melhor analisadas e compreendidas. Sem esquecer, em nenhum momento sequer, que a definição das doenças mentais está intrinsecamente ligada a uma das indústrias mais lucrativas do mundo atual.
(Eliane Brum. “Acordei doente mental”. Época, 20.05.2013. Adaptado.)
No entender da autora do artigo, no âmbito psiquiátrico, a distinção entre comportamentos normais e anormais
apresenta independência frente a condicionamentos de natureza material, histórica ou social.
pressupõe o poder absoluto da ciência, em detrimento da relativização dos critérios de normalidade.
deriva sua autoridade e legitimidade científica de critérios empíricos e universais.
busca valorizar a necessidade de autonomia individual no que se refere à saúde mental.
estabelece normas essenciais para o progresso e aperfeiçoamento da espécie humana.
Gabarito:
pressupõe o poder absoluto da ciência, em detrimento da relativização dos critérios de normalidade.
b) Correta. pressupõe o poder absoluto da ciência, em detrimento da relativização dos critérios de normalidade.
A autora do artigo compreende que a ciência, atualmente, na investigação dos comportamentos normais e anormais no âmbito psiquiátrico, detêm o poder absoluto em determinar o que é ou não normal; dessa forma, comportamentos mínimos são patologizados, enquanto que a indústria farmacêutica lucra com tal fenômeno. Critérios de normalidade, então, são determinados pela ciência, ao invés de uma relativização dos mesmos.
a) Incorreta. apresenta independência frente a condicionamentos de natureza material, histórica ou social.
No âmbito psiquiátrico, não há essa independência da distinção entre comportamentos normais e anormais frente a condicionamentos de natureza material, histórica ou social, já que a autora critica essa distinção por trazer caráter material e social.
c) Incorreta. deriva sua autoridade e legitimidade científica de critérios empíricos e universais.
A autora do texto não quer fundamentar o texto em uma autoridade e legitimidade científica, ao contrário, questioná-los.
d) Incorreta. busca valorizar a necessidade de autonomia individual no que se refere à saúde mental.
A autora não busca valorizar a necessidade de autonomia individual no que se refere à saúde mental, pois não prescreve algum tipo de programa para promover a saúde mental.
e) Incorreta. estabelece normas essenciais para o progresso e aperfeiçoamento da espécie humana.
A autora não estabelece normas essenciais para o progresso e aperfeiçoamento da espécie humana, um tipo de normalidade, ao contrário.