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Questão 52016

UNESP 2014
Redação

(UNESP - 2014 - 2 FASE) Texto 1


Dos 594 deputados e senadores em exercício no Congresso Nacional, 190 (32%) já foram condenados na Justiça e/ou nos Tribunais de Contas. As ocorrências se encaixam em quatro grandes áreas: irregularidades em contas e processos administrativos no âmbito dos Tribunais de Contas (como fraudes em licitações); citações na Justiça Eleitoral (contas de campanha rejeitadas, compra de votos, por exemplo); condenações na Justiça referentes à lida com o bem público no exercício da função (enriquecimento ilícito, peculato etc.); e outros (homicídio culposo, trabalho degradante etc.).

(Natália Paiva. www.transparencia.org.br. Adaptado.)

 

Texto 2

Nossa tradição cultural, por diversas razões, criou um ideal de cidadania política sem vínculos com a efetiva vida social dos brasileiros. Na teoria, aprendemos que devemos ser cidadãos; na  prática, que não é possível, nem desejável, comportarmo-nos como cidadãos. A face política do modelo de identidade nacional é  permanentemente corroída pelo desrespeito aos nossos ideais de conduta. Idealmente, ser brasileiro significa herdar a tradição democrática na qual somos todos iguais perante a lei e onde o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade é uma propriedade inalienável de cada um de nós; na realidade, ser brasileiro significa viver em um sistema socioeconômico injusto, onde a lei só existe para os pobres e para os inimigos e onde os direitos individuais são monopólio dos poucos que têm muito. Preso nesse impasse, o brasileiro vem sendo coagido a reagir de duas maneiras. Na primeira, com apatia e desesperança. É o caso dos que continuam acreditando nos valores ideais da cultura e não querem converter-se ao cinismo das classes dominantes e de seus seguidores. Essas pessoas experimentam uma notável diminuição da autoestima na identidade de cidadão, pois não aceitam conviver com o baixo padrão de moralidade vigente, mas tampouco  sabem como agir honradamente sem se tornarem vítimas de abusos e humilhações de toda ordem. Deixam-se assim contagiar pela inércia ou sonham em renunciar à identidade nacional, abandonando o país. Na segunda maneira, a mais nociva, o indivíduo adere à ética da
sobrevivência ou à lei do vale-tudo: pensa escapar à delinquência, tornando-se delinquente.

(Jurandir Freire Costa. http://super.abril.com.br. Adaptado.)

 

Texto 3

Se o eleitorado tem bastante clareza quanto à falta de honestidade dos políticos brasileiros, não se pode dizer o mesmo em relação à sua própria imagem como “povo brasileiro”. Isto pode ser um reflexo do aclamado “jeitinho brasileiro”, ora motivo de orgulho, ora de vergonha. De qualquer forma, fica claro que há problemas tanto quando se fala de honestidade de uma forma genérica, como quando há abordagem específica de comportamentos antiéticos, alguns ilegais: a “caixinha” para o guarda não multar, a sonegação de impostos, a compra de produtos piratas, as fraudes no seguro, entre outros. A questão que está posta aqui é que a população parece não relacionar seus “pequenos desvios” com o comportamento desonesto atribuído aos políticos.

(Silvia Cervellini. www.ibope.com.br. Adaptado.)


Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?

Gabarito:

Resolução:

Para ajudar a desenvolver a redação "Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?", o aluno possuia 3 textos motivadores que o ajudavam na compreensão do que era pedido para ser discutido, sendo esses textos:

1. Um texto que informa que 32% dos congressistas “já foram condenados na Justiça e/ou nos tribunais de contas pelos mais diversos crimes”.

2. Um texto que mostra o brasileiro diante de um impasse: manter-se aferrado a seus princípios éticos ou aderir à “lei do vale-tudo”.

3. O trecho de um texto, no qual o brasileiro é apresentado como um povo intolerante com a “falta de honestidade dos políticos” mas que, contraditoriamente, age com mansidão em relação aos próprios “pequenos desvios”, jamais os relacionando às práticas antiéticas de seus representantes.


Logo, o tema, com base no que foi dado, levava o candidato a responder à questão proposta, podendo assumir uma posição de crenca que  a corrupção é reflexo da sociedade, logo, ele poderia destacar o conhecido "jeitinho brasileiro” que consiste em cometer pequenas infrações, como subornar pessoas, sonegar impostos etc. Essas transgressões, tidas como inofensivas, acabam por se tornar corriqueiras, revelando uma flexibilidade moral que pode refletir-se na seleção de representars de caráter duvidoso, que poderiam ser um espelho daqueles que os elegeram.

Contudo, caso o cadidato discordasse da tese que foi proposta, ele poderia citar como o Congresso de indigna frente a um sistema socioeconômico injusto, que se recusa a compactuar com o “baixo padrão de moral vigente”. Essa recusa pode ser comprovada pela grande comemoração social quando ocorreu a condenação dos envolvidos no "mensalão". Assim como pode ser citada os protestos realizados pelo povo contra a corrupção e impunidade.

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