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Questão 58

UNESP 2014
Filosofia

(UNESP - 2014 - 1ª FASE)

Governos que se metem na vida dos outros são governos autoritários. Na história temos dois grandes exemplos: o fascismo e o comunismo. Em nossa época existe uma outra tentação totalitária, aparentemente mais invisível e, por isso mesmo, talvez, mais perigosa: o "totalitarismo do bem". A saúde sempre foi um dos substantivos preferidos das almas e dos governos autoritários. Quem estudar os governos autoritários verá que a "vida cientificamente saudável" sempre foi uma das suas maiores paixões. E, aqui, o advérbio "cientificamente  é quase vago porque o que vem primeiro é mesmo o desejo de higienização de toda forma de vício, sujeira, enfim, de humanidade não correta. Nosso maior pecado contemporâneo é não reconhecer que a humanidade do humano está além do modo "correto" de viver. E vamos pagar caro por isso porque um mundo só de gente "saudável" é um mundo sem Eros.

(Luiz Felipe Pondé. “Gosto que cada um sente na boca não é da conta do governo”. Folha de S.Paulo, 14.03.2012. Adaptado.)

Na concepção do autor, o totalitarismo

A

é um sistema político exclusivamente relacionado com o fascismo e o comunismo.

B

inexiste sob a égide de regimes políticos institucionalmente democráticos e liberais.

C

depende necessariamente de controles de natureza policial e repressiva dos comportamentos.

D

mobiliza a ciência para estabelecer critérios de natureza biopolítica sobre a vida.

E

estabelece regras de comportamento subordinadas à autonomia dos indivíduos.

Gabarito:

mobiliza a ciência para estabelecer critérios de natureza biopolítica sobre a vida.



Resolução:

D: O texto fala sobre como a ciência pode ser um mecanismo de atuação de governos totalitários, por meio de discursos sobre uma vida saudável que distorcem uma política de higienização da população ("humanidade não correta"). É uma forma de controle sobre a vida particular da população a partir de critérios biopolíticos.

 

A: O autor não afirma que o totalitarismo é exclusivo de governos fascistas e comunistas: "Na história temos dois grandes exemplos: o fascismo e o comunismo."

B: Regimes políticos democráticos e liberais não são imunes à governos totalitários.

C: Não necessariamente o totalitarismo depende de controles policial e repressivo. Pode ser marcado, como explica o texto, por políticas de higienização populacional através de discursos sobre saúde e ciência ("vida cientificamente saudável"), uma forma de dominação e controle velados.

E: As regras de comportamento, em governos totalitários, não se fundamentam na autonomia dos indivíduos, mas antes no controle destes.

 

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