(UNESP - 2014 - 2 FASE)
Entre a população brasileira, 39% acham que a desigualdade social alimenta a criminalidade, mas 58% acreditam que a maldade das pessoas é a sua principal causa. Esse contraste entre posições liberais e conservadoras é uma marca da sociedade brasileira, de acordo com pesquisa nacional feita pelo Datafolha. Foram realizadas 2 588 entrevistas em 160 municípios.
Inspirado por uma metodologia adotada por institutos de pesquisa estrangeiros, o Datafolha submeteu os entrevistados a uma bateria de perguntas sobre assuntos polêmicos para verificar a inclinação das pessoas por valores liberais e conservadores.
(Tendência conservadora é forte no país. Folha de S.Paulo, 25.12.2012. Adaptado.)
Relacione a diferença entre as opiniões de liberais e conservadores sobre as causas da violência às concepções de natureza humana no pensamento de Jean-Jacques Rousseau [1712-1778] e Thomas Hobbes [1588-1679].
Gabarito:
Resolução:
Segundo o texto, as pessoas de “valores conservadores” defendem que a causa da criminalidade seria a maldade dos seres humanos. Tal ideia pressupõe que existem características inatas ao ser humano, e que a maldade seria uma delas, indo ao encontro do pensamento de Hobbes. O famoso autor constrói seu pensamento político a partir do pressuposto de que existe maldade na própria natureza do homem, na medida em que o homem em estado natural busca apenas o próprio bem-estar e a própria integridade física, não importando o que seja necessário para consegui-los (daí sua frase mais famosa “o homem é o lobo do homem”). Partindo do ponto de vista oposto, Rousseau afirma que o homem por natureza é bom, tornando-se falso, individualista e hostil ao conviver em sociedade e ter sua natureza deturpada por ela. Para ele, a gênese deste individualismo nocivo é o surgimento da propriedade privada. Assim, dentro da lógica do pensamento rousseauniano, as causas da violência e do crime não são naturais, mas sociais, e diretamente relacionadas à desigualdade material entre os homens. A mesma concepção aparece na explicação dada por pessoas de “valores liberais” para a criminalidade, que seria alimentada pela desigualdade social: mais que uma inclinação pessoal e determinada do indivíduo para o que é considerado ruim, os atos maus seriam resultado da própria ação de uma sociedade desigual sobre o indivíduo.