(UNESP - 2011/2 - 1a fase)
Prioridade para a competência da leitura e da escrita
A humanidade criou a palavra, que é constitutiva do humano,
seu traço distintivo. O ser humano constitui-se assim
um ser de linguagem e disso decorre todo o restante, tudo o
que transformou a humanidade naquilo que é. Ao associar
palavras e sinais, criando a escrita, o homem construiu um
instrumental que ampliou exponencialmente sua capacidade
de comunicar-se, incluindo pessoas que estão longe no tempo
e no espaço.
Representar, comunicar e expressar são atividades de
construção de significado relacionadas a vivências que se
incorporam ao repertório de saberes de cada indivíduo. Os
sentidos são construídos na relação entre a linguagem e o universo
natural e cultural em que nos situamos. E é na adolescência,
como vimos, que a linguagem adquire essa qualidade
de instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.
A ampliação das capacidades de representação, comunicação
e expressão está articulada ao domínio não apenas da
língua mas de todas as outras linguagens e, principalmente,
ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social,
que a elas dá sentido. A escola é o espaço em que ocorre a
transmissão, entre as gerações, do ativo cultural da humanidade,
seja artístico e literário, histórico e social, seja científico
e tecnológico. Em cada uma dessas áreas, as linguagens
são essenciais.
As linguagens são sistemas simbólicos, com os quais recortamos
e representamos o que está em nosso exterior, em
nosso interior e na relação entre esses âmbitos; é com eles
também que nos comunicamos com os nossos iguais e expressamos
nossa articulação com o mundo.
Em nossa sociedade, as linguagens e os códigos se multiplicam:
os meios de comunicação estão repletos de gráficos,
esquemas, diagramas, infográficos, fotografias e desenhos.
O design diferencia produtos equivalentes quanto ao desempenho
ou à qualidade. A publicidade circunda nossas vidas,
exigindo permanentes tomadas de decisão e fazendo uso de
linguagens sedutoras e até enigmáticas. Códigos sonoros e visuais
estabelecem a comunicação nos diferentes espaços. As
ciências construíram suas próprias linguagens, plenas de símbolos
e códigos. A produção de bens e serviços foi em grande
parte automatizada e cabe a nós programar as máquinas,
utilizando linguagens específicas. As manifestações artísticas
e de entretenimento utilizam, cada vez mais, diversas linguagens
que se articulam.
Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura
e de escrita vai além da linguagem verbal, vernácula – ainda
que esta tenha papel fundamental – e refere-se a sistemas
simbólicos como os citados, pois essas múltiplas linguagens
estão presentes no mundo contemporâneo, na vida cultural e
política, bem como nas designações e nos conceitos científicos
e tecnológicos usados atualmente.
(Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Língua Portuguesa / Coord.
Maria Inês Fini. São Paulo: SEE, 2008. p. 16. Adaptado.)
E é na adolescência, como vimos, que a linguagem adquire essa qualidade de instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.
Neste período do texto, considerando que o verbo compreender não pede a preposição sobre, como ocorre com agir, a construção ficaria sintaticamente mais adequada com a substituição da sequência “para compreender e agir sobre o mundo real” por:
para compreender o mundo real e agir sobre este.
para compreender e agir o mundo real.
para compreender sobre o mundo real e agir.
para compreender o mundo real e agi-lo.
para compreender o mundo real e agir-lhe.
Gabarito:
para compreender o mundo real e agir sobre este.
a) Alternativa correta. Aqui, o verbo compreender está sem preposição em seu complemento, o mundo real, enquanto agir está com a preposição adequada, sobre, antes de este, pronome relativo que retoma o mesmo complemento, sem alteração de sentido.
b) Alternativa incorreta. Aqui, não há a preposição sobre, exigida por agir.
c) Alternativa incorreta. Aqui, a preposição está equivocadamente regida por compreender, enquanto agir não apresenta complemento, modificando seu sentido.
d) Alternativa incorreta. O pronome oblíquo o, utilizado aqui em sua forma lo, é utilizado para complementos diretos, isto é, sem preposição.
e) Alternativa incorreta. O pronome oblíquo lhe não funciona ao substituir algumas preposições, como sobre. Ele funciona principalmente com a preposição a e de.