(UFVJM - 2011)
Leia esta sentença, extraída do romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo.
“No tempo do fato acontecido, como sempre os homens e muitas mulheres trabalhavam na terra. O canavial crescia dando prosperidade ao dono. Os engenhos de açúcar enriqueciam e fortaleciam o senhor. Sangue e garapa podiam ser um líquido só.” p. 51
A frase destacada revela:
que esses líquidos têm consistência e aparência semelhantes.
o excessivo esforço que os trabalhadores despediam no cultivo da cana.
que a existência do segundo líquido não possui relação com a do primeiro.
uma relação de exploração na qual o lucro vinha como consequência da morte dos trabalhadores.
Gabarito:
o excessivo esforço que os trabalhadores despediam no cultivo da cana.
alternativa B
A literatura de Conceição Evaristo traz como ponto de partida a reflexão sobre essa formação da mão de obra trabalhadora-escrava no Brasil. A partir do fragmento do romance Ponciá Vicêncio fica clara a relação de que a mão de obra que produz a garapa não é a mesma que usufrui dela, mas apenas que dá o próprio sangue para produzir o açúcar vendido e consumido apenas por brancos. Logo, a existência da garapa gera lucro ao dono do engenho, mas o sangue (também uma metáfora para mão de obra explorada) que a produz nem sequer a degusta.