(UFU - 2016 - 1ª FASE)
A humanidade cessa nas fronteiras da tribo, do grupo linguístico, às vezes mesmo da aldeia; a tal ponto, que um grande número de populações ditas primitivas se autodesigna com um nome que significa ‘os homens’ (ou às vezes – digamo-lo com mais discrição? – os ‘bons’, os ‘excelentes’, ‘os completos’), implicando assim que as outras tribos, grupos ou aldeias não participam das virtudes ou mesmo da natureza humana, mas são, quando muito, compostos de ‘maus’, ‘malvados’, ‘macacos da terra’ ou de ‘ovos de piolho’.
LÉVI-STRAUSS, C. Raça e História. Antropologia Estrutural Dois. São Paulo: Tempo Brasileiro, 1989: 334.
Nesse trecho, o antropólogo Claude Lévi-Strauss descreve a reação de estranhamento que é comum às sociedades humanas quando defrontadas com a diversidade cultural.
Tal reação pode ser definida como uma tendência:
Etnocêntrica
Iluminista
Relativista
Ideológica
Gabarito:
Etnocêntrica
A: As sociedades humanas apresentam, comumente, uma tendência etnocêntrica ao reagir com estranhamento à diversidade cultural. Ou seja, partem de seus próprios princípios e concepções para entender a cultura do outro, o que leva à comparações e hierarquização; não tiram as "lentes da própria cultura" para entender as formas de expressão de outras sociedades.
C: Uma tendência relativista seria oposta à tendência etnocêntrica. O relativismo cultural considera cada cultura única e diferenciada, de forma que não concebe parâmetros de comparação nem estabelece superioridade.