(UFU - 2012)
Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”, indicam-se dois modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama o ser da potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência é não-ser-em-ato.
REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994, p. 349.
A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles, assinale a alternativa correta.
Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência).
Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).
Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.
Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.
Gabarito:
Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).
b) Correta. Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).
A noção de potência, o vir-a-ser, está ligada a ideia daquilo que tem a capacidade de mudança para algo, saindo de um estado e tornando-se outro, segundo uma forma, de modo que, sendo algo, não era outro, uma medida de não-ser. A matéria é o substrato que recebe a transformação, isto é, trans-formação, um movimento segunda uma forma definida. O ser-em-ato é expresso pela forma, que não pode mudar.
a) Incorreta. Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-empotência).
A sentença está totalmente errada, pois a atualidade demonstra aquilo que não está em movimento, em seu estado perfeito, já acabado, e a potencialidade aquilo que tem a capacidade de ser algo. O mármore é o ser-em-potência, um substrato ou uma matéria-prima que tem a potencialidade de tornar-se uma estátua; a estátua, já pronta, é o ser-em-ato, um substrato que recebe uma forma.
c) Incorreto. Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.
Essa noção é associada ao eleata Zenão, não a Aristóteles. Segundo este último, o movimento é a passagem de potência ao ato, porém o que move não pode mover a si mesmo, de modo que há um único princípio imutável, o motor imóvel, que move todas as coisas.
d) Incorreto. Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.
Essa sentença é totalmente falsa. Para Aristóteles, a potência está associada à matéria e o ato ao princípio de inteligibilidade na matéria, tendo em mente o hilemorfismo aristótelico: a matéria e a forma não estão separadas, mas unidas, de modo que não se pode compreender a forma como em Platão, separada do objeto.