(UFSJ - 2006)
“Também se pergunta se a felicidade deve ser adquirida pela aprendizagem, pelo hábito ou por alguma outra espécie de adestramento, ou se ela nos é conferida por alguma providência divina, ou ainda pelo acaso".
(ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Livro I. São Paulo: Abril Cultural, 1984, p. 58-59).
Considerando-se o trecho acima da Ética a Nicômaco, conclui-se que a felicidade é
uma atividade virtuosa da alma, e os demais bens são condições prévias da felicidade.
indiscutivelmente uma dádiva de Deus.
mero fruto do acaso.
inata e, portanto, desde criança se é feliz.
Gabarito:
uma atividade virtuosa da alma, e os demais bens são condições prévias da felicidade.
a) Correta. uma atividade virtuosa da alma, e os demais bens são condições prévias da felicidade.
A felicidade, segundo Aristóteles, é uma atividade virtuosa da alma, e os demais bens são condições prévias da felicidade.
Em Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que a virtude é a disposição adquirida voluntariamente, definida pela razão nos conformes de uma conduta ponderada. Ela ocupa a média entre duas extremidades, o excesso e a falta, e, embora consista numa média, está no ponto mais elevado em relação ao bem e à perfeição. A felicidade é uma atitude virtuosa, pois só pode ser atingida por meio da virtude (mediania entre vícios, temperança, controle das paixões, uso correto da razão).
Os bens que Aristóteles considera condições prévias da felicidade são a habilidade intelectual e a moral. Quando o ser humano nasce, já tem em si as faculdades da audição e da visão, não precisando de um treinamento para começar a ouvir e a ver. A habilidade intelectual é natural do homem e pode ser aprimorada através da educação, do ensino; a moral advém do hábito e é o que pauta as ações humanas. A soma dessas condições leva à excelência do espírito, quando o homem age apenas de acordo com a virtude. Assim, então, se tem a felicidade. O homem só encontra a virtude (na amizade, na justiça) porque reflete (habilidade intelectual natural) em cima da moral (suas ações e hábitos).
b) Incorreta. indiscutivelmente uma dádiva de Deus.
A felicidade não é possuída como dádiva divina, pois está relacionada com a prática moral e a racionalidade.
c) Incorreta. mero fruto do acaso.
A felicidade não é produto do acaso, como posse de qualquer um, mas apenas daquees que têm uma vida racional e moral.
d) Incorreta. inata e, portanto, desde criança se é feliz.
A felicidade não é inata, até porque pode-se perdê-la ou apenas pode-se considerar feliz apenas no final da vida, se houve uma história de vida ética e sábia.