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Questão 74

UFPR 2018
Filosofia

(UFPR - 2018 - 1ª FASE)

Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer o Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele então significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente não está mentindo, porque isso lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma investigação, que passo a expor.

(PLATÃO. Defesa de Sócrates. Trad. Jaime Bruna. Coleção Os Pensadores. Vol. II. São Paulo: Victor Civita, 1972, p. 14.)

O texto acima pode ser tomado como um exemplo para ilustrar o modo como se estabelece, entre os gregos, a passagem do mito para a filosofia. Essa passagem é caracterizada

A

pela transição de um tipo de conhecimento racional para um conhecimento centrado na fabulação.

B

pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão.

C

pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade.

D

por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso.

E

pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso.

Gabarito:

pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão.



Resolução:

b) Correta. pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão.
A passagem do mito para a filosofia entre os gregos é marcada pelo empenho dos filósofos em compreender as incertezas do mundo através da razão. Procuravam desvincular-se do mito e das explicações centradas na fabulação, na espiritualidade e na fantasia; as narrativas sobre o divino não poderiam mais explicar os fenômenos do mundo, que deveriam ser observados a partir da racionalidade. 

 

a) Incorreta. pela transição de um tipo de conhecimento racional para um conhecimento centrado na fabulação.
É o contrário: a passagem do mito para a filosofia marca a transição de um tipo de conhecimento centrado na fabulação para um conhecimento racional.

c) Incorreta. pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade.
Na passagem do mito para a filosofia, são questionadas as narrativas mítico-religiosas, suscitando dúvidas acerca do que antes era aceito com passividade.

d) Incorreta. por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso.
A passagem do mito para a filosofia é caracterizada pelo enfraquecimento do discurso de cunho religioso e uma proeminência da razão.

e) Incorreta. pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso.
A substituição gradual do mito para a filosofia não é marcada por um ateísmo radical; os filósofos não buscavam eliminar a religião ou as concepções de espiritualidade do divino, mas sim explicar os fenômenos da realidade a partir da perspectiva racional, com argumentos lógicos e fundamentados na razão.

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