Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial da capital paulista, parecia improvável que dali sairiam peças costuradas para uma das maiores redes de varejo do país. Não fossem as etiquetas da loja coladas aos casacos, seria difícil acreditar que, através de uma empresa terceirizada, a rede pagava 20 centavos por peça a imigrantes bolivianos que costuravam das 8 da manhã às 10 da noite.
Os 16 trabalhadores suavam em dois cômodos sem janelas de 6 metros quadrados cada um. Costurando casacos da marca da rede, havia dois menores de idade e dois jovens que completaram 18 anos na oficina.
Adaptado de Época, 04/04/2011.
A comparação entre modelos produtivos permite compreender a organização do modo de produção capitalista a cada momento de sua história. Contudo, é comum verificar a coexistência de características de modelos produtivos de épocas diferentes.
Na situação descrita na reportagem, identifica-se o seguinte par de características de modelos distintos do capitalismo:
organização fabril do taylorismo – legislação social fordista
nível de tecnologia do neofordismo – perfil artesanal manchesteriano
estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista
regulação estatal do pós-fordismo – padrão técnico sistêmico-flexível
Gabarito:
estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista
Resolvendo passo-a-passo a questão:
a) organização fabril do taylorismo – legislação social fordista
Não, a organização colocada no texto é própria do Toyotismo ou Pós-fordismo
b) nível de tecnologia do neofordismo – perfil artesanal manchesteriano
Não, esta alternativa apresenta dois conceitos subutilizados no vestibular para confundir o aluno, mas neofordismo é apenas um outro nome para pós-fordismo e o perfil artesanal manchesteriano seria o perfil anterior a primeira revolução industrial, não concordante com o perfil da sociedade retratada, pós-industrial.
c) estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista
Sim, apesar da modernidade empresarial típica do toyotismo, coexiste a fragilidade do trabalho e da legislação típica da sociedade pré-fordista, como a das fábricas inglesas da primeira revolução industrial.
d) regulação estatal do pós-fordismo – padrão técnico sistêmico-flexível
Não, o texto não faz menção explicita ao Estado no pós-fordismo, também não faz ao padrão técnico sistêmico-flexível