(UEPA - 2012)
LXII
Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico e fino.
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;
Aqui descanse a louca fantasia;
E o que 'té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.
O campo como locus amoenus, livre de mazelas sociais e morais, foi o grande tema literário à época neoclássica, quando a literatura também expressou uma resistência à Cidade, considerada então violento símbolo do poder monárquico e da corrupção moral. Interprete as opções abaixo e assinale aquela em que se sintetiza o modo de resistência expresso nos versos de Cláudio Manuel da Costa acima transcritos.
apego à metrificação tradicional
bucolismo e paralelismo
aurea mediocritas
inutilia truncat
fugere urbem
Gabarito:
fugere urbem
a) Alternativa incorreta. Apesar de ser um soneto, não é na forma que reside a resistência desse poema.
b) Alternativa incorreta. O bucolismo e o paralelismo, por si sós, não constituem força de resistência, apesar de estarem presentes.
c) Alternativa incorreta. Não há uma valorização da aurea mediocritas, isto é, dessa rotina com um marasmo que seria, teoricamente, a ideal. Há uma descrição de um espaço rural e as atividades nele sendo feitas, mas, nesse poema em específico, não há essa ode à tranquilidade.
d) Alternativa incorreta. O inutilia truncat, ou seja, retirar os "excessos" da linguagem, não é a forma de resistência que predomina no poema presente no enunciado.
e) Alternativa correta. Os versos de Cláudio Manuel da Costa revelam o desejo do eu lírico de afastar-se da cidade, como se observa em “Se o bem desta choupana pode tanto, / Que chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto”. Além disso, há o desejo de refugiar-se no campo, como em “Aqui descanse a louca fantasia”.