(UENP 2011) “Depois de fazer parte das preocupações de importantes sociólogos clássicos, tais como Weber e Simmel, o tema da cidade volta ao centro das discussões na sociedade contemporânea. O espaço urbano é o cenário por excelência da vida pública, do trabalho, da geração de renda e riqueza, da produção e do consumo, mas também das aglomerações, do desconhecido, do caos, dos medos visíveis e invisíveis. Atualmente, muitos estudiosos têm voltado sua atenção para a análise do fenômeno urbano, entre eles, um dos mais producentes da atualidade: Zygmunt Bauman.”
ARRUDA, Patrícia Cabral de. Cidades líquidas. Soc. estado. [online]. 2008, vol.23, n.2, pp. 469-476.
Assinale a alternativa incorreta.
Nos últimos anos, o medo e a obsessão por segurança ganham espaço, sobretudo na Europa. Paradoxalmente, vivemos em algumas "das sociedades mais seguras que jamais existiram".
Vive-se, atualmente, em uma sociedade que "se organizou em torno de uma procura infinita de proteção e da insaciável aspiração à segurança".
Agora, os medos e perigos se proliferam e advêm de todas as partes: da comida industrializada que consumimos, da depressão, do estresse, das doenças cardiovasculares, da vida sedentária, da falta de emprego ou do excesso de trabalho, da exposição ao sol e das relações sexuais sem preservativos. Por isso, tem-se a impressão de que o caos está instaurado e de que não resta alternativa senão instalar câmeras de segurança, blindar os carros e construir muros.
O espaço urbano, por ser cenário da vida pública, por excelência, induz a um conforto que conduz à apatia, fazendo com que as pessoas não se preocupem com os problemas à sua volta.
Na medida em que não são mais necessários, os componentes das classes perigosas tornam-se os "desclassificados": pessoas que não pertencem a qualquer grupo social, situadas à margem. Não se trata de um grupo "inferior", mas de pessoas que estão "fora", "que não servem para nada".
Gabarito:
O espaço urbano, por ser cenário da vida pública, por excelência, induz a um conforto que conduz à apatia, fazendo com que as pessoas não se preocupem com os problemas à sua volta.
a) Correta. Este paradoxo é observável no texto da questão: “O espaço urbano é o cenário por excelência da vida pública, do trabalho, da geração de renda e riqueza, da produção e do consumo, mas também das aglomerações, do desconhecido, do caos, dos medos visíveis e invisíveis.” Ou seja, a cidade pode gerar tanto um clima de segurança quanto de medo. Isso porque a forma como a globalização se impõe e se manifesta diante das expectativas e desejos dos indivíduos, cria um ambiente em que estamos livres e seguros para dispor de todos os benefícios que advém desse fenômeno, mas, ao mesmo tempo, cria desigualdades tão intensas que exige um aumento na segurança, tornando-se um problema social.
b) Correta. Graças aos inúmeros “medos visíveis e invisíveis” oriundos da sociedade contemporânea, vive-se um clima constante de insegurança e, consequentemente, de busca por segurança.
c) Correta. Como vemos no texto, “O espaço urbano é o cenário por excelência da vida pública, do trabalho, da geração de renda e riqueza, da produção e do consumo”, estes mesmos aspectos podem ser negativos, tornando-se a origem do medo e da insegurança: “os medos e perigos se proliferam e advêm de todas as partes: da comida industrializada que consumimos, da depressão, do estresse, das doenças cardiovasculares, da vida sedentária, da falta de emprego ou do excesso de trabalho”, como vemos na alternativa. Assim, medidas como câmeras de segurança, altos muros e carros blindados são elementos típicos da sociedade contemporânea, obcecada pela segurança.
d) Incorreta. Pelo contrário, o texto nos indica o oposto, visto que ele sinaliza que a cidade é um local de “caos, de medos visíveis e invisíveis.”, ainda que também apresente aspectos positivos. Esse cenário não resulta na apatia dos indivíduos, mas sim num estado constante de medo e vigilância.
e) Correta. A marginalização das “classes perigosas” (ou seja, geradoras de insegurança) se apresenta como uma solução para o problema do medo, e dessa forma a exclusão, que é diferente da inferiorização, acontece “na medida em que [estes indivíduos] não são mais necessários”.