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Questão 40527

UENP 2010
Filosofia

(UENP - 2010)

“Ora, propondo-me publicar, um dia, uma Metafísica dos costumes, faço-a preceder deste opúsculo que lhe serve de fundamentação. Decerto não há, um rigor, outro fundamento em que da possa assentar, de não seja a Crítica de uma razão pura prática, do mesmo modo que, para fundamentar a Metafísica, se requer a Crítica da razão pura especulativa por mim já publicada.

Mas, em parte, a primeira destas Críticas não é de tão extrema necessidade como a segunda, porque em matéria moral a razão humana, mesmo entre o comum dos mortais, pode ser facilmente levada a alto grau de exatidão e de perfeição, ao passo que no seu uso teorético, mas puro, da é totalmente dialética; e, em parte, no que concerne à Crítica de uma razão pura prática, para que ela seja completa, reputo imprescindível que se mostre ao mesmo tempo a unidade da razão prática e da razão especulativa num princípio comum; pois que, em última instância, só pode haver uma e a mesma razão, e só na aplicação desta há lugar para distinções. Ora, não me seria possível aqui realizar um trabalho tão esmiuçado e completo, sem introduzir considerações de ordem inteiramente diferente e sem lançar a confusão no ânimo do leitor. Por isso, em vez de dar a este livrinho o título de Crítica da razão pura prática, denominei-o Fundamentação da Metafísica dos costumes.”

(Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes, 1785)

 Sobre a filosofia moral de Kant, é correto afirmar que:

A

Kant pretende construir uma filosofia moral particularista que parte da conduta e da ação individual.

B

A proposta kantiana de ética passa pelo conceito de imperativo categórico que pode ser reduzido na seguinte assertiva: age de tal forma, que a máxima de sua ação possa ser universal.

C

Kant usava suas concepções éticas para justificar as dominações políticas dos povos não europeus.

D

A ética kantiana é relativista, como a dos sofistas combatidos por Sócrates na antiguidade clássica.

E

O que constitui o bem de uma vontade boa e aquilo que ela efetivamente alcança.

Gabarito:

A proposta kantiana de ética passa pelo conceito de imperativo categórico que pode ser reduzido na seguinte assertiva: age de tal forma, que a máxima de sua ação possa ser universal.



Resolução:

b) Correta. A proposta kantiana de ética passa pelo conceito de imperativo categórico que pode ser reduzido na seguinte assertiva: age de tal forma, que a máxima de sua ação possa ser universal.
A ética deontológica, baseada no dever, de Kant se baseia numa coerência entre a motivação e a ação, pois eu devo ter os motivos corretos para ação, segundo o dever, a noção do imperativo categórico universal. Uma boa vontade é uma vontade que age por dever, aquilo que é incondicionalmente bom e que, portanto, é uma vontade livre de inclinações empíricas e que age a partir da representação da lei moral. O dever, nas palavras do filósofo, "é a necessidade de uma acção por respeito à lei". Para isso, supõe-se o imperativo categórico que é a expressão do dever máximo: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.”

 

a) Incorreta. Kant pretende construir uma filosofia moral particularista que parte da conduta e da ação individual.
A ética kantiana, ao contrário, não é particularista, mas se estrutura a partir do imperativo categórico, que é deontológico e universal, ou seja, um dever, uma máxima moral aplicada a todo mundo, a qual deve ser seguida. Ela não parte do individual, mas do que é geral, um princípio retirada da razão, não do empirismo.

c) Incorreta. Kant usava suas concepções éticas para justificar as dominações políticas dos povos não europeus.
O colonialismo não era previsto em sua filosofia.

d) Incorreta. A ética kantiana é relativista, como a dos sofistas combatidos por Sócrates na antiguidade clássica.
A ética kantiana não é relativista, ao contrário, fundamentada na razão, em um princípio universal e necessário.

e) Incorreta. O que constitui o bem de uma vontade boa e aquilo que ela efetivamente alcança.
A vontade não se constitui como boa a partir de sua finalidade, mas a partir da motivação pelo dever.

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