(Uema 2015) Gilberto Cotrim (2006. p. 212), ao tratar da pós-modernidade, comenta as ideias de Michel Foucault, nas quais “[…] as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder que se desenvolveu a partir do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas no setor político e nas suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da vida social […] [e] o poder fragmentou-se em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Assim, em vez de se deter apenas no macropoder concentrado no Estado, [os] micropoderes se espalham pelas mais diversas instituições da vida social. Isto é, os poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas, por exemplo: os pais, os porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretarias, os guardas, os fiscais etc.”
Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006. (adaptado)
Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal função dos micropoderes no corpo social é interiorizar e fazer cumprir
o ideal de igualdade entre os homens.
o total direito político de acordo com as etnias.
as normas estabelecidas pela disciplina social.
a repressão exercida pelos menos instruídos.
o ideal de liberdade individual.
Gabarito:
as normas estabelecidas pela disciplina social.
O poder é visto por Foucault como uma prática social expressa por um conjunto de relações. O poder deve ser pensado não como um objeto natural, uma "coisa" que uns tem e outros não (por exemplo, o pai e o filho, o rei e seus súditos, o presidente e seus governados), mas sim como uma relação que opera entre os pares (o filho que negocia com o pai, os súditos que reivindicam ao rei, os governados que usam dispositivos legais para fiscalizar o presidente). Nesse sentido, o poder não está restrito ao governo, mas presente na sociedade em um conjunto de práticas (a maioria delas essencial à manutenção do Estado); é uma rede formada por mecanismos e dispositivos espalhados em todo cotidiano, da qual todos fazem parte, que molda comportamentos, atitudes e discursos.
O poder externo não é capaz de conter os corpos individuais, não permeia a vida e não controla os indivíduos; por isso, é um erro compreender o Estado como portador de poder. Os micro poderes têm atuação capilar na sociedade e determinam, através dos meios do Estado, as reações; domesticam os indivíduos, os hierarquizam e normatizam comportamentos em suas relações. Tal efeito é presente nas relações mais simples até as mais complexas, o que permite o estabelecimento de uma disciplina social ampla.