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Questão 14945

UEMA 2014
Sociologia

(UEMA - 2014) A história da cultura brasileira é pontuada pelo “jeitinho brasileiro” e pela cordialidade, frutos da colonização portuguesa. Sérgio Buarque sugere que nossa cultura tem algumas singularidades, tais como: aversão à impessoalidade, forte simpatia e rejeição ao formalismo nas relações sociais. Tais singularidades se refletem no ordenamento da sociedade expresso no fragmento da música Minha história de João do Vale e Raimundo Evangelista, que trata da educação como base da estratificação social na sociedade burguesa.

E quando era noitinha, a meninada ia brincar.

Vige como eu tinha inveja de ver Zezinho contar:
“o professor ralhou comigo,
porque eu não quis estudar” (bis)
Hoje todos são doutor,
E eu continuo um João Ninguém
Mas, quem nasce pra pataca
nunca pode ser vintém.
Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir bem (bis)...

João do vale; Chico Evangelista. “Minha história”. In: álbum, João do Vale. Rio de Janeiro: Sony, 1981.


Conforme a contribuição de Karl Marx sobre a análise da sociedade capitalista, os conceitos sociológicos expressos nessa música são

A

superestrutura, anomia social, racionalidade, alienação.

B

ação social, infraestrutura, solidariedade orgânica, coesão social.

C

divisão do trabalho, mais valia, solidariedade mecânica, burocracia.

D

sansão social, relações de produção, organicismo, forças produtivas.

E

ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho.

Gabarito:

ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho.



Resolução:

e) ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho.

Correta.

Pode-se observar que o conceito de Ideologia no pensamento Marxista representa um conjunto de proposições e mecanismos da sociedade burguesa, criados com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe: tal aspecto se reflete no texto, na medida em que o acesso à educação do eu lirico no poema é cerceado, mas "Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir bem".  

Ademais, a classe social representa para Karl Marx, uma posição essencialmente econômica de grupos de indivíduos que partilham de uma posição similar nas relações de produção - seja como donos dos meios de produção ou vendedores da força de trabalho. Juntamente ao teor de desigualdade perante essas classes, o texto reproduz tal ideia na medida em que considera que o eu lirico: "eu continuo um João Ninguém, Mas, quem nasce pra pataca, nunca pode ser vintém.".

Por fim, para Marx as relações de produção (as relações sociais de trabalho) regulam tanto a distribuição dos meios de produção e dos produtos quanto a apropriação dessa distribuição e do trabalho. Tal ideia se manifesta no texto na medida em que o eu lirico é cerceado da possibilidade de ser doutor, ocupando uma posição fixa nessas relações de produção. 

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